Caso você seja daqueles que ainda acha que investir em ações não é para qualquer pessoa, está na hora de rever os seus conceitos. Com a Internet tudo ficou mais fácil e é possível formar carteiras de pequenos valores, que podem render mais que a poupança ou outras formas de aplicação. Mas atenção! Arriscar-se no mercado de ações exige dedicação e sangue frio.
No Brasil, existem 25 corretoras online, que integram o chamado mercado de home broker, sistema que permite o investimento via Internet na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O sistema foi criado em março de 1999 e já conta com 35 mil investidores cadastrados.
Para o iniciante que não sabe a diferença entre ação ordinária (dão direito de voto em assembléia mas não garantem prioridade na distribuição dos dividendos) e ação preferencial (o detentor tem prioridade no recebimento dos dividendos e/ou, no caso de dissolução da empresa, no reembolso de capital) a solução é buscar ajuda no passo a passo dos sites. Outra saída é se cadastrar nos simuladores financeiros oferecidos por praticamente todas as corretoras online. Nestes ‘‘desafios’’, o investidor de primeira viagem aprende as ‘‘manhas’’ do mercado, antes de aplicar dinheiro real.
O arquiteto Cairo Murakami, por exemplo, leu uma matéria de jornal sobre o assunto há cerca de um ano e meio e resolver investir suas economias no mercado acionário. ‘‘Era uma promoção que simulava um investimento de R$ 100 mil na Bovespa’’, completa.
De lá para cá, passou a acompanhar diariamente o noticiário econômico e também a cotação das ações. Murakami afirma que, no início, frequentava bastante os fóruns de discussão e os chats específicos sobre economia. Hoje, entretanto, ele diz que não procura mais ‘‘porque especulam muito’’.
Neste um ano e meio, o arquiteto diz que teve um retorno de 60% sobre o total investido. ‘‘Muitas vezes parece uma loteria’’ compara. Seus recursos estão concentrados, principalmente, em ações de empresas de telecomunicações e de energia, dois setores em intensa ebulição no momento e têm maior liquidez. Ele conta que uma vez apostou nas ações da Cesp, que estava para ser privatizada. Em apenas um dia os papéis da companhia energética subiram 20%.
E porque investir em ações usando a Internet? ‘‘Porque pela Internet dá mais segurança e é bem mais ágil do que pelo banco’’, diz Murakami. Outra vantagem é que as aplicações via rede podem ser acessadas a qualquer momento, em qualquer lugar do planeta. Tanto é assim que Murakami está com planos de se mudar para o Japão e, mesmo assim, continuar investindo.
O especialista em investimentos da empresa Investidor Global, Daniel Yabe Milanez, destaca que o investidor iniciante deve se preocupar, principalmente, com os valores de corretagem cobrados.
‘‘Mais do que acertar se as ações irão subir ou descer, é preciso se preocupar com os custos operacionais’’, avisa. De acordo com ele, é fundamental pesquisar quais as corretoras que cobram menos para que os lucros gerados nas transações de compra e venda sejam realmente compensadores.
Milanez adianta que a aplicação online é uma tendência irreversível, que tende a ser incrementada. Segundo ele, num futuro não muito distante irão existir poucas bolsas espalhadas pelo mundo e as transações serão feitas via Internet, de qualquer lugar a qualquer hora. ‘‘O home broker’’, afirma, ‘‘é só o começo’’.

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