Se a palavra vestibular for digitada em qualquer site de busca, o internauta pode se deparar com um número astronômico de páginas disponíveis sobre o assunto. Somente o AltaVista, por exemplo, relaciona 15.565 citações em um sem-número de sites brasileiros sobre o assunto. E isto não é de surpreender. Nos últimos tempos, a Internet transformou-se em uma importante aliada dos vestibulandos, não só na busca de informações sobre os exames, mas também na complementação do material estudado.
Percorrer as centenas de milhares de sites não é uma tarefa difícil para eles. Pelo contrário, essa interatividade tornou-se um atrativo e vem sendo explorada, também, por educadores. O fato de a rede mundial de computadores exercer um fascínio sobre os adolescentes de um modo geral tornou-se uma vantagem na hora de ensinar. Ela pode ser o fator decisivo entre aprender Química Orgânica ou não. Afinal, sem desmerecer técnicas e métodos de ensino, o formato dinâmico da rede permite uma aproximação entre alunos e disciplinas não muito populares, porém necessárias (pelo menos para o vestibular).
Por menor que seja o tempo de conexão em determinada página o internauta acaba, ao menos, ‘‘passando os olhos’’ sobre o texto. Para muitos educadores que mantêm homepages pessoais, isto já é suficiente. Pelo menos, neste curto período, é possível tentar conquistá-los utilizando todos os recursos que a Internet dispõe. A facilidade de acesso ao professor é outra vantagem. Qualquer dúvida, é só mandar um e-mail.
Os grandes sites de informações do País já descobriram o filão. O Zaz foi o primeiro a colocar um página especial (www.zaz.com.br/vestibular), inaugurando o serviço em dezembro de 96, quando a Internet (pelo menos no Brasil) ainda não tinha o alcance de hoje. No Zaz é possível até conferir se o curso que o vestibulando escolheu é aquele mesmo que quer fazer, através da seção ‘‘Guia de Profissões’’.
Por seu lado, o Universo Online não poderia deixar este segmento de usuários a ver navios e inaugurou, recentemente, um dos mais completos serviços de ajuda ao vestibulando: o Vestibuol (www.uol.com.br/vestibuol) que é atualizado diariamente. O Vestibuol traz 11 seções que cobrem o universo do vestibular no Brasil. Na seção ‘‘Ranking da Playboy’’, por exemplo, o internauta pode conhecer as melhores faculdades do momento, incluindo as que contam com cursos de pós-graduação. Outra seção que deve atrair a atenção dos candidatos internautas é a de ‘‘Provas Resolvidas’’ que traz questões de vestibulares anteriores acompanhadas de suas respectivas resoluções.
Além destes, existem outros, como o 1000Ways (www.1000ways.com.br/vestibular.htm), que também montaram páginas especiais com vários links só sobre vestibular no Brasil e até no exterior. Os próprios cursinhos pré-vestibulares estão investindo na área e oferecendo, em seus sites, aulas e provas virtuais. É o caso do Sistema Coc de Educação e Comunicação (www.coc.com.br), de Ribeirão Preto, que mantém um site bem atual, com simulados, tira-dúvidas, links e informações sobre vestibulares de todo o Brasil.
O Grupo Positivo, o mais antigo de Curitiba, oferece em seu site (www.positivo.com.br/curso/index2.html) uma grande variedade de links e dicas, que vão desde obras literárias exigidas nos exames das principais faculdades até datas e locais de provas. Um dos links mais concorridos é a ‘‘Sala dos Professores’’ na qual os candidatos a universitários podem tirar suas dúvidas on line com os mestres, mesmo que não sejam alunos.
Para os internautas vestibulandos, a Internet veio dar uma boa mãozinha. Um exemplo é o da estudante Patrícia Gomes Vasconcelos, 21 anos, que tenta uma vaga no curso de farmácia da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Patrícia utiliza a rede mundial de computadores para tirar dúvidas, principalmente nas áreas de Física e Química. ‘‘Se não estou com tempo para falar com o professor, acesso a Internet e procuro lá o que preciso. Outro dia mesmo, precisava de uma tabela periódica e não tinha nenhuma em mãos. Peguei na Internet’’, conta.
Segundo ela, a Internet serve como ‘‘escora’’ aos estudos mas ainda não dá para substituir as apostilas e o próprio cursinho. ‘‘As apostilas dão uma visão geral, são uma espécie de plano de estudos. Já a Internet é um meio de complementar os brancos. Com os serviços de busca dá para pesquisar qualquer assunto sobre o qual tenha dúvida’’, explica a vestibulanda.
Mas a grande vantagem que a rede oferece parece ser os chamados simulados - uma verdadeira arma preparatória para o exame - que podem ser encontrados em vários sites. ‘‘Fiz dezenas de simulados durante o ano passado, sem precisar acordar cedo no domingo, sem sair de casa e de bermudão e chinelos’’, conta Fernando Alves da Silva, 20 anos, estudante do primeiro ano do curso de Propaganda e Marketing da Universidade do Norte do Paraná (Unopar), em Londrina.
Segundo ele, o acesso a simulados, disponíveis em sites como o do Sistema Coc de Educação e Comunicação e o Zaz, foi uma importante ajuda para seu sucesso no vestibular. ‘‘Com estes simulados disponíveis na Internet, eu pratiquei bastante. Quando não tinha tempo para responder on line, imprimia para fazer depois. E ainda tinha o gabarito e respostas comentadas, o que ajudou muito a tirar dúvidas’’, garante. Os mesmos testes ele passou também para a mãe, hoje caloura no curso de Letras da UEL. ‘‘Também a ajudou muito’’, afirma.
O londrinense Fabrício Borges, 21 anos, candidato a uma vaga no curso de Jornalismo na Universidade Federal do Paraná, também recorre aos simulados para complementar seus estudos e garantir sua vaga. ‘‘Sempre que posso, pego testes e provas de vestibulares anteriores para resolver. Acho que isto ajuda muito’’, afirma. Fabrício também visita sites como o Zaz para tirar suas dúvidas e os das faculdades, para saber como serão os exames. ‘‘Principalmente o da Federal, que eu nunca prestei, me ajudou muito. Dá para saber como vai ser o vestibular por lᒒ, garante.
Para o professor de Biologia José Renato Duarte, do Curso Positivo de Curitiba, a Internet é uma arma valiosíssima para enfrentar o monstro do vestibular. Tanto que criou, em novembro do ano passado, uma homepage sobre Botânica (www.netpar.com.br/duarte/index2.htm) que já teve mais de oito mil acessos. ‘‘Para você ter uma idéia, eu acabei de dar uma aula e esta aula está disponível na minha homepage. À noite, os alunos que tiverem dúvidas podem acessá-la e, se persistir a dúvida, me mandar um e-mail. Eu respondo todos’’, diz.
Para Duarte, a Internet não substitui apostilas e cursinhos - ‘‘não dá para colocar, em rede, tudo aquilo que a apostila traz, só os pontos principais’’ - mas proporciona o acesso a quem não pode ter um contato imediato com o professor. ‘‘Além disso, a gurizada está muito ligada a computadores e esta é uma forma de atraí-los para determinados assuntos’’, explica.
Porém, segundo ele, esta não é a melhor época do ano para varar noites pesquisando na Internet. ‘‘Agora é hora de se dedicar mais ao estudo e deixar a Internet para tirar uma ou outra dúvida. Ao longo do ano, sim. Ao invés de ficar brincando com joguinhos, é melhor navegar na Internet. Assim também se aprende’’, garante.

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