Em apresentação no Oracle Open World, Frederico Trajano, diretor de uma das maiores redes de lojas do Brasil, o Magazine Luiza, contou o que está fazendo para que colaboradores e clientes saiam da simples posse de tecnologia para o seu uso efetivo em uma companhia com 58 anos de idade. "Trinta porcento do nosso faturamento de R$ 12 bilhões no ano passado foi com (a venda de) smartphone. Mas tem muita gente que compra o equipamento e só usa WhatsApp."
O potencial da internet no varejo é grande. Segundo ele, o fluxo geral das lojas físicas nos Estados Unidos caiu 50% nos últimos cinco anos, mas isso não quer dizer que as vendas sofreram prejuízo. Cresceram 3%. Isso é reflexo do fenômeno do "webrooming", em que os consumidores pesquisam produtos pela internet antes de irem às lojas. Aqui no Brasil, a cada R$ 1 gasto no site, R$ 4 são deixados nas lojas do Magazine Luiza, afirma Trajano.
Para investir na interface real-virtual, o diretor da rede diz que a empresa está investindo em diversas iniciativas com a finalidade de "educar" colaboradores e clientes para a internet e de integrar as lojas físicas à loja virtual. Hoje, 20% do faturamento da empresa vem do e-commerce.
"Queremos ser uma empresa 100% digital com ponto físico e calor humano." Uma das primeiras iniciativas neste sentido foi a "mascote" da empresa, um avatar chamado de Lu. Ela está presente no site e em diversos outros canais digitais com o objetivo de ajudar o consumidor no pré e pós-compra. Os 24 mil funcionários do Magazine Luiza - principalmente aqueles de gerações anteriores, passam por treinamento para o uso de ferramentas digitais, acrescenta Trajano.
Os oito centros de distribuição da rede "enxergam" o estoque no site e na loja ao mesmo tempo, afirma ainda o diretor. Um sistema "cognitivo" desenvolvido pela própria rede, apelidado de "Bob", envia 1 milhão de e-mails personalizados, baseados no histórico de compras e na navegação dos consumidores.
Até o final do ano que vem, o cliente poderá comprar produtos no site e trocar ou retirar em 100% lojas, garante Trajano. "Hoje, só 20% das lojas fazem isso." Também está previsto entre as ações da rede de lojas um aplicativo mobile para que os vendedores possam efetuar as vendas pelo smartphone. Isso deverá reduzir o processo de compra, segundo o diretor da rede, de 45 minutos para 15 minutos.(M.F.C.)

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