A repórter da Folha de Londrina, Mie Francine Chiba mediou bate-papo sobre fake news no Instituto Cultural, em Londrina
A repórter da Folha de Londrina, Mie Francine Chiba mediou bate-papo sobre fake news no Instituto Cultural, em Londrina | Foto: Ricardo Chicarelli



Na semana do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, três de cada cinco notícias mais compartilhadas pelos brasileiros no Facebook eram falsas. O dado é da Agência Pública, agência de jornalismo investigativo sem fins lucrativos. Um estudo recente, realizado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisa em Informática e Automação, na França, e da Universidade de Columbia, nos EUA, mostrou ainda que 60% de todos os posts das redes sociais são compartilhados sem sequer serem clicados. Esses dados mostram um cenário em que as chamadas fake news se espalham de maneira alarmante na internet, e em que o comportamento dos internautas é fator importante na disseminação de informações falsas.

Com o objetivo de orientar os participantes sobre maneiras de identificar fake news na internet, o Instituto Cultural, de Londrina, realizou na última quinta-feira (3) um bate-papo com alunos e comunidade sobre o assunto. No dia 3 de maio inclusive, celebrou-se o Dia da Liberdade de Imprensa, e a repórter do caderno de Economia e Mercado Digital, Mie Francine Chiba, foi convidada pela Embaixada dos EUA no Brasil e pelo Instituto para ser mediadora do debate.

Chiba viajou recentemente aos Estados Unidos com um grupo de jornalistas brasileiros para uma programação de duas semanas em três cidades norte-americanas com os temas Inovação e Liberdade de imprensa. A viagem foi financiada pela Embaixada dos EUA. O Cultural é parceiro da Embaixada e membro da coligação dos Centros Binacionais, que ensinam o idioma e ajudam a difundir a cultura dos países de língua inglesa.

Foram três sessões de 40 minutos em que alunos e comunidade também aprenderam sobre as suas responsabilidades no ambiente digital ao compartilhar informações. Após o Facebook alterar o seu algoritmo para priorizar as interações sociais, o que os usuários mais passaram a ver no seu "feed de notícias" é conteúdo que seus amigos compartilham. O caminho inverso também passou a ser verdadeiro.

Dados da Pew Data, divulgados pela Columbia Journalism Review, mostram que 62% da população dos Estados Unidos obtêm notícias por algum tipo de mídia social. Economistas das universidades de Nova Iorque e de Stanford também chegaram à conclusão, em uma pesquisa, que 14% dos adultos norte-americanos veem as mídias sociais como as fontes mais importantes de notícias sobre as eleições.

Ao final das sessões no Instituto Cultural, os grupos receberam dicas de como identificar sinais de que uma notícia é falsa, e foram estimulados a avaliar algumas notícias e opinar sobre a sua veracidade. A atividade mostrou que o alfabetismo de mídia – media literacy, termo que vem sendo utilizado por especialistas para se referirem à capacidade dos internautas de acessarem, analisarem, avaliarem e criarem mídia – ainda é um desafio, em especial na internet, onde informações verdadeiras se misturam a informações falsas. "Uma das maneiras mais efetivas de combater as fake news é por meio da informação. Quando as pessoas se informam sobre os prejuízos que notícias falsas causam à sociedade, aprendem a identificá-las e as rejeitam, a sua corrente se quebra", comenta Chiba.

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