Quando o barato sai caro na informática
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segunda-feira, 14 de dezembro de 1998
Jay Dougherty Deursche Presse Agentur 
Às vésperas do Natal, são tantas as ofertas de computadores a preço baixo que o consumidor se pergunta se valem a pena.
Muitos equipamentos custam pouco, porque têm em seu interior microprocessadores baratos, produzidos por competidores da gigante Intel, cuja conhecida etiqueta Intel Inside supostamente dá ao consumidor garantia de confiança e confiabilidade.
É preciso pensar duas vezes antes de comprar um computador que não tenha a famosa etiqueta? A primeira dúvida é se vale a pena um computador com um microprocessador K-6 da AMD em vez de um Pentium II da Intel.
Na realidade, há boas e más notícias para quem quer comprar um computador baseado em clones, como o K6 da Advanced Micro Devices (AMD) ou os da série 6x86 da Cyrix.
Do ponto de vista da compatibilidade há poucas dúvidas em relação a processadores alternativos da AMD ou da Cyrix. Os chips K6 e K6-2 da AMD já foram testados rigorosamente no que diz respeito à compatibilidade com os principais sistemas operacionais, incluindo o DOS, OS/2 e os Windows 95, 98 e NT da Microsoft.
Os usuários de processadores Cyrix têm também poucos ou nenhum problema. Tanto o K6 como o 6x86 receberam o certificado de compatível com Windows.
Com relação ao rendimento, em termos gerais, há também boas notícias. Análises neutras demonstraram que, com processadores de 266, 300, 333 e 350 megahertz (MHz) da AMD, todos os aplicativos standard de escritório e multimídia funcionam tão bem como com os chips Intel Pentium II de velocidades equivalentes.
A única exceção importante se refere à parte do microprocessador que se ocupa dos cálculos de alta matemática. Nesse terreno os chips da Intel levam uma grande vantagem em comparação a seus competidores no que diz respeito a rendimento.
Aplicativos de desenho computadorizado, alguns jogos tridimensionais, incluindo o Quake, aplicativos de cálculos complicados e outros programas de uso intenso da matemática podem exigir muito do processador.
Assim, se o usuário costuma utilizar alguns desses aplicativos, vale a pena investir em um computador Intel.
Outro ponto a se considerar é a possibilidade de fazer upgrade. É bom lembrar que, ao lançar sua série Pentium II, a Intel introduziu uma nova conexão patenteada.
Esse slot tem a ver com o modo como o processador se conecta à placa-mãe. Chamado de Slot 1, para os Pentium II, e de Slot 2 para os mais recentes processadores Xeon, esta conexão faz com que a AMD, a Cyrix e outros fabricantes de clones tenham que continuar confiando no velho desenho da conexão Socket 7.
Para o consumidor, entretanto, esta guerra privada de slots significa que os computadores baseados em processadores semelhantes ao Pentium II não podem receber upgrade com os últimos genuínos chips Pentium II, que provavelmente são os melhores quanto ao rendimento.
Em suma, se você compra um computador com processador fabricado pela AMD ou Cyrix, a única possibilidade de dar um upgrade em sua máquina será através de processadores da mesma marca.
Competição O Celeron é o processador mais barato da Intel. Está baseado na tecnologia Pentium II e usa a mesma conexão de desenho slot 1 que a maioria dos chips Pentium II.
O Celeron representa a mais recente tentativa da Intel de afugentar seus competidores, como a AMD ou a Cyrix, que estão tomando a parte do mercado que a Intel pretende dominar com processadores de baixo custo para principiantes.
Os processadores Celeron de primeira geração, colocados no mercado no início deste ano, são baratos porque excluem a memória cache, uma parte relativamente cara, de alta velocidade, incluída atualmente na maioria dos processadores e que melhora o rendimento do chip.
O resultado foi que os processadores Celeron tiveram apenas uma fria acolhida no mercado. Deve-se evitar esses chips porque eles oferecem pouca ou nenhuma vantagem quanto ao rendimento sobre os Pentium MMX e, na realidade, se comportam ainda pior do que os MMX com aplicativos iguais.
Mas a Intel não desistiu e lançou recentemente uma segunda geração do Celeron que vem com cache incorporado e tem um rendimento assombroso para um processador de custo baixo. Este Celeron de segunda geração vem em velocidades de 300 e 333 MHz.
A vantagem de adquirir um computador com Celeron de segunda geração é que muitas placas-mãe que aceitam esse processador trabalham também relativamente bem com os mais caros processadores Pentium II.
Deste modo, se o consumidor comprar neste Natal um computador com o Celeron, ele deve estar seguro que pode fazer um upgrade com um chip Pentium II de 400 ou 450 MHz. Se puder, então será uma ótima compra.
Ele pode, por exemplo, comprar agora um computador Celeron e passar para um Pentium II assim que os preços caírem depois das festas de Ano Novo.
Outra questão é se vale esperar por uma melhoria espetacular quanto ao rendimento, com um computador com dois processadores. E também se dois processadores rendem o dobro que um só. Isso é relativo.
A compra de um computador equipado com duas unidades centrais de processamento (CPU) não aumentará o rendimento, a menos que o sistema operacional em uso esteja projetado para reconhecer e trabalhar com unidades múltiplas.
O Windows NT reconhece até quatro processadores múltiplos. Mas o Windows 95 e o Windows 98 não o fazem. O sistema OS/2 Warp da IBM também pode trabalhar com mais de uma CPU. Mas o uso de um sistema operacional como o Windows NT para aproveitar a potência de CPUs múltiplas não vai transformar o computador em um bólido de Fórmula Um.
Haverá, é certo, um aumento de rendimento mas não é possível esperar uma duplicação da velocidade só porque está usando dois chips.
A outra peça desde quebra-cabeça é o software, que deve estar projetado para trabalhar com múltiplas unidades centrais de processamento. Um bom exemplo é a forma pela qual o Windows NT trabalha com o programa Photoshop 5.0 da Adobe.
Mas até agora a maioria dos aplicativos não são feitos para reconhecer a existência de dois processadores, de modo que é bom pensar bem antes de comprar um computador com processador duplo.


