O empresário Aleksandar Mandic afirma que as empresas de telecomunicação não têm vocação para vender no varejo. Ele lembra que os serviços de acesso à Internet representam cerca de 3% do faturamento da AT&T. ‘‘Não faz sentido abrir uma concorrência desleal com os provedores de acesso, que são bons clientes das empresas de telecomunicação’’, diz.
Neste aspecto, Antonio Tavares, dono da Dialdata, é mais otimista. Ele explica que os grupos que estão assumindo as empresas do Sistema Telebrás não têm experiência em suporte ao usuário final, um serviço muito importante para os internautas. Diante disso, é possível que a maioria resolva não entrar no mercado de provimento de acesso à Internet.
No Rio, Henrique Morize, um dos sócios do Openlink, acha que haverá melhora na qualidade dos serviços. Outra mudança positiva na visão de Morize é a relação fornecedor-cliente: ‘‘Temos a chance de estabelecer uma relação saudável do tipo fornecedor-cliente, que hoje não existe entre as empresas privadas e as teles.’ Mas Morize adverte que será preciso empenho da Agência Nacional de Telecomunicações para evitar práticas como dumping.
Júlio Botelho, sócio do provedor carioca Unikey, não tem muitas esperanças quanto ao futuro dos provedores. Ele explica que as companhias telefônicas vão fazer aqui uma prática do exterior: atuar na área de Internet com serviço agregado. ‘‘O custo desse serviço para as companhias telefônicas é absolutamente marginal e elas podem fazer o que bem entenderem sobre isso’’, garante. ‘‘Como os provedores dependem dessas companhias e vão concorrer com elas, a nossa situação fica ainda mais complicada’’, acrescenta.
(Agência Globo)

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