Sob alguns aspectos, a computação ainda está na idade das cavernas. No início, os usuários não tinham outra saída a não ser se adaptarem aos computadores, pois as máquinas eram caras, ao passo que as pessoas eram baratas. Mais adiante, com o advento das interfaces gráficas, o uso dos micros passou a ser mais agradável. Mas algo muito delicado continua do mesmo jeito que era há 18 anos: o uso das senhas, aqueles códigos baseados em letras e números. A password ideal é uma cadeia aleatória de símbolos alfanuméricos e pontuações e, para a turma dos nerds, não há problema algum.
Os mortais comuns, no entanto, não se adaptam bem a essa filosofia, e acabam por escolher senhas mais humanas, palavras ou códigos que tenham algum significado que facilite a sua memorização. Isso acaba enfraquecendo o sistema, já que senhas simples são sabidamente inseguras. No entanto, apesar de todos os avisos alarmistas sobre segurança de redes, o velho sistema de senhas digitadas ainda é o padrão, não só para senhas, como para PINs (de personal identification number) de cartões de crédito, contas bancárias, etc.
No outro extremo, tentando facilitar a vida dos humanos, explorou-se a biometria, ou seja, a análise de características singulares do corpo humano assegurando a identificação segura de uma pessoa. Vale tudo nessa abordagem: padrões de íris, voz, fundo de olho, impressões digitais e traços fisionômicos. O principal inconveniente da biometria é que, para tratar esse tipo de informação, o dispêndio de poder de máquina é brutal, pela dificuldade algorítmica de se processar tantos dados morfológicos em tempo hábil.
Diante desse quadro, uma empresa chamada ID-arts (www.id-arts.com), fundada em setembro de 1997, lançou, no início do ano, uma opção segura para as senhas e PINs: as passfaces, ou seja, ‘‘rostos de passe’’. Este conceito baseia-se na habilidade natural que todos temos para reconhecer rostos. Fazemos isso o tempo todo, com amigos, colegas e conhecidos, levando cerca de 20 milissegundos para identificar as feições de alguém. O Passfaces, que chegou ao Brasil através da Prosisa Informática, simplesmente utiliza imagens de rostos reais de gente anônima, caras que acabam se tornando familiares para o usuário, como se fossem as de um novo conhecido dele. Este conceito foi chamado ‘‘cognometria’’, termo patenteado pela ID-arts, significando ‘‘a medida do conhecimento’’. Baseia-se em complexas pesquisas conduzidas pelo professor Hadyn Ellis, chefe da faculdade de psicologia da Universidade de Gales, em Cardiff, uma autoridade em reconhecimento de rostos.
Desenvolvido pelo inglês Andrew Ryan, diretor de tecnologia da ID-Arts, o programa exibe na tela uma sequência de nove rostos, dentre os quais o usuário seleciona apenas um. Nova tela é aberta e o usuário vai escolhendo rostos até que a configuração de uma sequência final pré-estipulada seja aceita. Logicamente, a ordem em que as caretas aparecem em cada uma das sequências varia aleatoriamente a cada vez que você dá login no sistema.
O banco de dados do Passfaces dispõe de centenas de rostos de gente anônima, homens e mulheres, de diferentes nacionalidades, idades e aparência geral. De outro modo, rostos famosos ou conhecidos facilitariam o trabalho de furadores de sistema. O próprio software facilita a memorização dos rostos, repetindo a sequência tantas vezes forem necessárias para que o usuário decore as feições e a ordem em que devem ser selecionadas. A chave desse esquema é o caráter subjetivo que o usuário confere à sua escolha individual de rostos.
Além do Passfaces, a Prosisa também comercializa dois outros produtos criados pelo mesmo Andrew Ryan, verdadeiro gênio da informática, com 32 anos de idade e 12 de experiência em segurança e tecnologia de informações. O primeiro é o SafeBoot, que criptografa dados em disco rígido usando algoritmo RSA 1024, conferindo um nível de segurança altíssimo. O outro é o Smarty, leitor de smart cards que tem feito considerável sucesso no Brasil.

mockup