Representantes de 60 nações assinaram, há pouco mais de um mês em Nova York, um tratado nas Nações Unidas, banindo todos os testes nucleares. O Tratado Abrangente de Proscrição dos Testes Nucleares, resultado de décadas de persistente negociação, segue os passos do Tratado de Proscrição dos Testes na Atmosfera, dos anos 60. Mas estende seu alcance, incluindo testes civis e militares, em terra, no céu e no mar.
O tratado atinge o próprio mecanismo pelo qual a dinâmica da guerra se guia: a inovação tecnológica. Evitando os testes, as nações na verdade concordam em não desenvolver novas armas de destruição em massa, e tal passo representa a essência de nossa evolução como espécie humana.
O tratado não entrará em vigor por mais dois anos, e pode-se esperar um debate bastante amargo antes de sua aprovação pelo Senado dos Estados Unidos e por outros órgãos representativos. Ainda assim, o marco permanece.
Com esta manifestação de entendimento entre nações, demos um passo para colocar Pandora de volta a sua caixa e nos livrarmos da mais destrutiva de muitas de nossas destruitivas criações.
Líderes das cinco declaradas potências nucleares - França, Estados Unidos, Grã-Bretanha e China - não perderam tempo para elogiar seu próprio trabalho e os representantes das nações não nucleares respiraram coletivamente aliviados. Contudo, para alguns, o tratado não foi suficientemente longe. Índia, uma potência nuclear desde 1974, ainda quer um acordo mais impositivo, que estabeleça uma data definitiva para o banimento de todas as armas nucleares. Muitos consideram, a posição da Índia uma cortina de fumaça para a proteção de seu próprio programa armamentista. Qualquer que seja a razão do desarmamento total, permanece o objetivo que todas as nações - as que já têm armas nucleares e as com capacidade de produzir tais armas - devem perseguir.
Primeiro passo Devemos ficar aliviados, mas sem ter a ilusão que a guerra acabou. O tratado precisa ser o primeiro passo não apenas para a remoção de armas nucleares, mas também para o banimento do enteado dessas armas, o poderio nuclear que envenena o Planeta.
Tal envenenamento só raramente assume a forma de uma catástrofe espetacular, como as de Three Mile Island ou Chernobyl. Mas seus efeitos, tanto físicos como éticos, são igualmente devastadores. Para nossas crianças, e as crianças de nossas crianças, faz pouca diferença se as armas nucleares foram banidas ou não. Pois terão que lidar com o lixo nuclear vazando em depósitos submarinos ou com as ‘‘zonas de sacrifício nacional’’ como as pradarias do Estado de Washington.
Não demos nenhuma solução para esses problemas até agora. Em vez disso, muitos ainda consideram o poder nuclear tecnologicamente viável e uma opção financeira acessível para a geração de energia.
Tecnologias que tiram proveito de fontes de energia renovável - solar aeólica, geotérmica - já estão disponível. Precisamos apenas reconhecer isso. Se o futuro é para ser alimentado pela energia elétrica, podemos obter tal energia explorando fontes renováveis. Sabemos disso. Também sabemos que tais fontes renováveis de energia irão estimular a paz, pois nenhum exército até hoje lutou por alguma coisa que esteja disponível em quantidade ilimitadas.
O Tratado Abrangente de Proscrisção de Armas Nucleares assinados nas Nações Unidas é uma conquista significativa e um primeiro passo importante. Devemos agora decidir para onde este passo nos levará.

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