ReproduçãoResistenteCubo de cerâmica logo após sair do forno: material tem leveza e alta resistência térmicaA cerâmica está entre os materiais mais antigos produzidos pela humanidade. Desde tempos pré-históricos, o homen transforma argila ou barro em utensílios para seu uso diário. Hoje, porém, este material tem utilidades muito mais refinadas e é tecnológicamente mais aprimorado do que se imagina.
Produzidos em laboratório, certos tipos de cerâmica têm aplicação, por exemplo, em indústrias metalúrgicas sob a forma de dutos, revestimenos de fornos de altas temperaturas e peças de automóveis. A leveza e a alta resistência térmica são suas principais características.
Na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, um projeto está sendo desenvolvido para aprimoração de cerâmicas. O método utilizado é o de sol-gel, que consiste em preparar materiais através de soluções químicas, em geral à temperatura ambiente.
O objetivo é produzir uma cerâmica com maior resistência tanto térmica quanto mecânica. Para isso, a coordenadora do projeto, professora Dorotéia Bozano, do Departamento de Física da UFMS, recorreu a um procedimento chamado ‘‘dopagem’’, ou seja, incluiu outros elementos ou composições químicas no material.
Através de testes, a pesquisadora estuda cada amostra dopada. O material precisa suportar altas temperaturas (com ponto de fusão acima de 1.800 graus centígrados), choques térmicos, reagentes químicos e, mesmo estando quente, não se quebrar ao ser submetido a turbulências ou quedas.
O trabalho vem sendo desenvolvido há um ano e é financiado pela UFMS, CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e Cecitec (Conselho Estadual de Ciência e Tecnologia). A professora Dorotéia, que estuda o assunto desde 1988, pretende conseguir um tipo de cerâmica mais resistente do que a que existe no mercado, produzindo-a com temperaturas mais baixas.
Utilidade Atualmente, as cerâmicas têm grande uso em indústrias. além dos fomos e dutos, com ela são construídas peças de motores de aviões e carros. As que são feitas através de solução química (sol-gel), podem ser usadas na forma de filme sobre metais protegendo-os de corrosão.
É bom lembrar que a utilização de um novo material pelo mercado não acontece rapidamente. A professora explica que o processo demora de 15 a 20 anos, pois o produto deve ser amplamente pesquisado, preparado em grande quantidade sem perder sua qualidade além de a indústria se preparar para recebê-lo, conhecer suas características e inserí-lo no mercado.
Contudo, os objetivos de uma pesquisa como esta desenvolvida na UFMS não é somente o aproveitamento industrial. Antes disso, trata-se de uma atividade acadêmica, em que também estão envolvidos alunos: ‘‘Um dos principais papéis da universidade é ensinar pesquisadores e aumentar o número de cientistas’’, afirma a professora.
Mais informações com Dorotéia Bozano, Departamento de Física - UFMS, Laboratório de pesquisas em novos materiais, fone (067) 787-3311 (ramal 2206).

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