Projeto leva museu virtual para escolas
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 09 de julho de 1997
Luis Lomba Curitiba 
O coordenador Paulo César Krelling, professor da Universidade Federal do Paraná: planos de editar um livro com as informações do banco de dados sobre o prédio, o acervo do museu e história da cidade de ParanaguáMontar um banco de dados com informações sobre o prédio e o acervo do Museu de Arqueologia e Etnologia do Paraná, localizado em Paranaguá, é o objetivo de um projeto que está sendo desenvolvido pela Universidade Federal do Paraná. A equipe do projeto, coordenada pelo professor Paulo César Krelling, já começou a recolher informações sobre a arquitetura do prédio, que foi construído há 300 anos. O banco de dados vai ajudar em futuras restaurações do prédio, diz Krelling. Quando tudo estiver pronto, será possível fazer visitas virtuais ao museu a partir de qualquer computador ligado na Internet.
Em maio o Ministério da Cultura liberou R$ 40 mil para aquisição de equipamentos para dar andamento ao projeto. O projeto foi aprovado há cinco anos, mas o ministério não tinha recursos para liberar, o que só aconteceu mês retrasado, diz Krelling. Pretendemos comprar dois microcomputadores PRO de 200 Mhz, um plotter, uma câmera fotográfica digital e os softwares necessários, completa.
Segundo Krelling, professor do Departamento de Geociências, um dos maiores patrimônios do museu é o próprio prédio. Estamos levantando informações sobre cada pedacinho da edificação, medindo janelas etc. Depois as medidas são colocados no Autocad (software), que faz o desenho delas. Esta etapa deve estar concluída até o final deste ano.
Paralelamente, o acervo será incluído no banco de dados. Com o trabalho concluído poderemos levar o museu até as salas de aula da rede pública de ensino, o que é interessante, pois a maioria das crianças não pode ir até o museu, diz Krelling. Ele pretende usar o programa Quicktime VR, que permite criar ambientes virtuais a partir de fotografias. Isso é mais interessante que fazer uma animação em vídeo, pois o visitante poderá escolher o caminho que deseja percorrer e parar em frente às peças que quiser, não precisando se limitar ao trajeto percorrido na animação, analisa.
Falta de profissionais Um dos softwares a serem adquiridos deve ser o Tobuk, que agiliza o trabalho com multimídia, permite a conexão com banco de dados e abre um canal para a Internet. O professor Krelling não arrisca previsão de quando esta etapa estará concluída. Atualmente trabalhamos com quatro estagiários, mas pode ser que o número se reduza ano que vem. Há uma série de fatores difíceis de prever, diz. Se tivermos tudo que precisamos, é rápido. Antes disso, ele espera editar um livro com as informações do banco de dados sobre o prédio, o acervo do museu e história da cidade de Paranaguá.
Na verdade esse tipo de trabalho não acaba, pois uma coisa puxa a outra e novas tecnologias vão surgir. Com os banco de dados pronto, podemos trabalhar para disponibilizar visitas em três dimensões com óculos especiais, por exemplo, diz o professor. Ele se ressente da falta de profissionais para trocar idéias sobre o trabalho. Que eu saiba, estamos sendo pioneiros nessa área. Então não é como discutir sobre o Word, que todo mundo conhece, compara.
Krellin sonha com o dia em que todos os museus do País estarão interligados e poderão consultar seus acervos mutuamente. Para isso, se dispõe inclusive a emprestar os equipamentos que está adquirindo com verba do Ministério da Cultura. Um museu poderia ficar como laboratório por seis meses, por exemplo, em troca do compromisso de colocar todo banco de dados de seu acervo à disposição, afirma.


