É o que todo cientista pesquisador procura e o que todo o paciente do mundo com uma doença fatal espera desesperadamente ouvir. Cientistas podem clonar um ovelha a partir de uma simples célula e fazer bebês em provetas como se fosse rotina, mas a cura para as doenças mais mortais do mundo continua desconhecida. Até agora.
Nem com a descoberta da penicilina em 1940 e com a revelação da dupla hélice do DNA uma década depois os cientistas estiveram à beira de uma era tão dourada para a medicina.
Um pouco depois da virada do milênio, em 2005, cientistas ao redor do mundo terão completado o Projeto Genoma Humano - o mapeamento e sequenciamento de todos os genes do homem. Peritos médicos prevêm que a façanha irá mudar o modo como as doenças são diagnosticadas e tratadas.
‘‘Nos próximos 25 anos isso provocará mais impacto do que tudo’’, disse o professor Karol Sikora, um cientista pesquisador do Fundo Imperial Britânico de Pesquisa do Câncer.
‘‘Isso vai aumentar nossa compreensão sobre o processo da doença e nos levará a novas curas’’, acrescentou. ‘‘Os maiores assassinos podem ser erradicados nos próximos 50 anos’’.
No último meio século a maioria das evoluções no combate às doenças foram feitas por meio da observação científica. Até a descoberta de Alexander Fleming das propriedares anti-bactericidas da penicilina foi descrita como ‘‘um acidente de época’’. Mas a era da medicina em que os cientistas pesquisavam, observavam e testavam novos medicamentos será trocada pelos métodos high tech de diagnóstico e pelos remédios customizados para cada paciente.
‘‘A era da medicina das observações está acabada porque nós olhamos para tudo o que podia ser visto. As pessoas coletaram todas as plantas e fungos que existem no mundo para procurar propriedades farmacológicas. Nós chegamos ao fim disso. O que temos que fazer agora será por meio do design biológico - basicamente drogas projetadas - é o que pode ser feito a partir do Projeto Genoma’’, Sikora adicionou.
O sequenciamento de todos os genes humanos e a possibilidade de se fazer comparações usando um chip especial com as informações genéticas, vai ajudar os farmacologistas a usarem medicamentos feitos especialmente para cada indivíduo, sofrendo desde o mal de Alzheimer e asma até doenças do coração e tuberculose.
‘‘A vinda do Projeto Genoma junto com o poder dos computadores irá revolucionar nosso conhecimento sobre as doenças’’, prevê Sikora.
Ao invés de se passar por terríveis meses de quimioterapia, acompanhada de náuseas e perda de cabelo, pacientes com câncer no futuro terão tratamentos com remédios feitos sob encomenda baseados no mapeamento genético.
A quimioterapia, principal forma de tratamento para a maioria dos pacientes com câncer, faz muito mal porque as drogas tóxicas não conseguem distinguir as células saudáveis das células cancerosas do paciente.
No mundo após o Projeto Genoma, análises genéticas permitirão que os médicos tenham acesso ao problema a um nível molecular e façam as correções que serão específicas para cada paciente individual.
A tecnologia do chip genético será usada para detectar falhas no gene p53, supressor de tumores, que é perdido ou desativado em muitos tipos de câncer, ou para bloquear mutações do vírus HIV em pacientes conforme este for se tornando resistente aos medicamentos.
‘‘Outra coisa que deve acontecer é que todo o negócio de diagnósticos de doenças pode ser revolucionado pelo Projeto Genoma’’, disse Sikora.
Seja câncer, diabete ou problemas cardíacos, os cientistas poderão prever com muito mais precisão quem tem chances maiores de ter determinada doença e se voltar para a população-alvo para diagnosticar de forma mais eficiente.

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