Mônica VendraminiAuxílioPaulo Marques, criador do sistema de tradução: ‘‘Informática serve de apoio, pois o significado depende do contexto’’Uma das queixas dos internautas brasileiros é que a maioria dos sites está em inglês. Sem desprezar os exemplos de boas páginas em português, o fato é que essa turma tem razão. Os sites mais badalados são os americanos - e podem espernear os xenófobos que vêem a Internet com restrições, por causa da invasão americana. Para ajudar quem não domina o idioma e precisa ler sites em inglês, empresas de todo o mundo fizeram programas para tradução de textos, de páginas da Web e até de bate-papos (chats).
O brasileiro pode comprar programas que fazem tradução de home pages, como o Web Translator, e de textos em geral, caso do Babel. E há aqueles que executam a versão do português para o inglês, como o Transcend e o Power Translator Pro.
Depois de ler estes parágrafos você pensa, esfregando as mãos, que finalmente se livrou das aulinhas de inglês. Doce engano. Estes programas dão uma força, mas têm vários defeitos. Na maioria das vezes, a tradução é sofrível e serve apenas para se ter uma noção. Em alguns casos, fica mais difícil entender o sentido da frase traduzida do que no original - mesmo para quem não passou do ‘‘the book is on the table’’.
Isto acontece por causa de problemas de interpretação, já que a arte de um bom tradutor está justamente na escolha de expressões corretas que substituam as originais. No caso dos programas mais simples, esta substituição é grosseira, feita ao pé da letra. Os softwares que analisam a morfologia e a sintaxe são um pouco mais refinados. Mas, como o universo de palavras é vasto e há muitos homônimos nas diversas línguas, mesmo os softwares mais sofisticados se atrapalham.
Daí que o internauta pode se deparar com surpresas como o hipertexto ‘‘Vínculos frescos’’ na home page do Yahoo! e imaginar que está prestes a entrar em um site sobre amizades recentes, talvez em Portugal. Eu, que tenho um vocabulário muito menor do que os programas (entre 45 mil e 500 mil palavras), juraria, sem ver o original, que se trata de um devaneio. E traduziria ‘‘Cool Links’’ como ‘‘Links Legais’’. É uma questão de bom senso e de relacionar o assunto da página com as expressões, tarefa que os tradutores eletrônicos ainda não sabem realizar. Mesmo assim, há vários exemplos em que a tradução foi bastante apropriada.
Para diminuir estes erros, o dicionário dos tradutores precisa ser enriquecido com expressões mais apropriadas. Essa tarefa depende da paciência e do bom conhecimento em gramática do usuário.
Os tradutores não são novidade. Desde a década de 60, cientistas vêm desenvolvendo programas para o serviço. Antes, como os micros tinham poder de processamento baixo, somente mainframes conseguiam traduzir e, mesmo assim, de um jeito tosco. Com a Internet, os novos softwares vêm oferecendo a possibilidade de traduzir Web sites on-line. O Web Translator foi feito para isso. O provedor de acesso Dialdata versou para o inglês algumas páginas brasileiras hospedadas em seu servidor, para mostrar como funciona este programa, à venda na loja virtual do site (www.dialdata.com.br).
A maior novidade vem da U-Net, que desde terça está oferecendo aos clientes a possibilidade de ler páginas traduzidas sem precisar instalar o programa no micro. O trabalho é feito pelo servidor da U-Net.

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