Procura-se profissional polivalente
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quarta-feira, 23 de julho de 1997
Agência Globo 
Se você é aluno dos cursos de Informática, Desenho Industrial ou Comunicação Social, tem intimidade com a Internet e sabe trabalhar em equipe, seu lugar no mercado de trabalho pode estar garantido, com um piso em torno de R$ 1.500. O crescimento das empresas especializadas em multimídia e a expansão da Internet no país nos últimos três anos criou um novo mercado para quem está se formando agora.
A vantagem dos universitários é que são poucos os profissionais já formados que preenchem os requisitos pedidos pelas empresas envolvidas com novas mídias. Outro ponto a favor de quem ainda está se esforçando para conseguir o diploma é a inclusão de disciplinas relacionadas à multimídia e à Internet nos cursos de Desenho Industrial e Comunicação Social oferecidos por instituições públicas e privadas.
As empresas de multimídia procuram analistas e programadores que conheçam software de autoria, como o Director, bancos de dados e linguagens mais complexas como C++ e Assembler. Mas isso não basta; é preciso que ele saiba conversar com os designers e a equipe do texto.
Equipe Formado em processamento de dados pela PUC-RJ, Rodrigo Danemann, um dos sócios da produtora multimídia Z-Movie, diz que o mais importante para os profissionais da área de informática que queiram trabalhar com multimídia e Internet é a noção de trabalho num ambiente multidisciplinar.
Para a turma de design, o conselho é mergulhar de cabeça na computação gráfica e nas linguagens que fazem o dia-a-dia da Internet, como HTML e Java. Bruno Fiorentini Júnior, diretor geral da Medialab do Brasil, comenta que o designer que quer trabalhar com Internet deve se especializar em comunicação interativa.
O programador visual deve ter em mente que não adianta fazer um imagem linda se ela pode demorar dez horas para aparecer na tela do internauta - afirma Fiorentini.
Luiz Amaral, designer multimídia da Z-Movie formado em Desenho Industrial pela PUC-RJ, alerta que os cursos não estão muito adiantados em matéria de multimídia e Internet. Ele conta que a realidade de mercado é muito diferente fora da sala de aula. Para compensar isso, o profissional deve se adaptar ao ritmo de trabalho da empresa e não pode se especializar num único software.
Na Z-Movie, os designers viraram afinadores de micro e criaram macetes para evitar problemas de incompatibilidade com cores e arquivos de som. Guilherme Horn, diretor de Marketing da ATR, uma das pioneiras aqui nas artes da multimídia, conta que a empresa trabalha com três tipos de designer: ilustradores, projetistas de produtos e integradores. Os projetistas se encarregam das embalagens, etiquetas, manuais e toda a programação visual dos produtos. Os ilustradores se dividem em animadores e técnicos, especializados em mapas e infográficos. Para combinar tudo, surge o designer integrador.
Sem papel Difícil é encontrar esse profissional pronto no mercado. Hugo Pucciarelli, diretor da Graphstyle, diz que os programadores visuais saem da faculdade com uma visão muito restrita ao papel. Para ele, a saída é buscar o programador visual nas faculdades e moldá-lo. Esta prática é comum nas produtoras de multimídia e projetos para Internet. Todos preferem contratar quem ainda está na faculdade e formar um quadro de profissionais já especializado na cultura da empresa. Isso é mais comum para os designers e redatores. A turma da Informática, ainda que precise de ajustes, já sai da faculdade com uma bagagem maior.
A área de redação é outro calo para quem trabalha com multimídia ou sites. Como são áreas muito novas, assim como o setor de design, não há profissional sênior com experiência em redação multimídia ou na Internet. A Graphstyle trabalha com uma equipe free-lancer de roteiristas. Pucciarelli conta que é preciso avisar ao redator que multimídia não é vídeo, as imagens e as falas não podem ser longas e ainda há limitações de resolução. Se isso não estiver bem claro, a qualidade do CD-ROM será ameaçada.
André Breitman, dono da Editora Delta, que vai lançar uma enciclopédia no segundo semestre, sentiu na pele a falta que faz uma boa equipe multimídia. Para encontrar programadores, designers e redatores de qualidade, a empresa foi buscar mão-de-obra nas universidades. Os escolhidos foram encontrados nos cursos de mestrado e doutorado.


