Se você é aluno dos cursos de Informática, Desenho Industrial ou Comunicação Social, tem intimidade com a Internet e sabe trabalhar em equipe, seu lugar no mercado de trabalho pode estar garantido, com um piso em torno de R$ 1.500. O crescimento das empresas especializadas em multimídia e a expansão da Internet no país nos últimos três anos criou um novo mercado para quem está se formando agora.
A vantagem dos universitários é que são poucos os profissionais já formados que preenchem os requisitos pedidos pelas empresas envolvidas com novas mídias. Outro ponto a favor de quem ainda está se esforçando para conseguir o diploma é a inclusão de disciplinas relacionadas à multimídia e à Internet nos cursos de Desenho Industrial e Comunicação Social oferecidos por instituições públicas e privadas.
As empresas de multimídia procuram analistas e programadores que conheçam software de autoria, como o Director, bancos de dados e linguagens mais complexas como C++ e Assembler. Mas isso não basta; é preciso que ele saiba conversar com os designers e a equipe do texto.
Equipe Formado em processamento de dados pela PUC-RJ, Rodrigo Danemann, um dos sócios da produtora multimídia Z-Movie, diz que o mais importante para os profissionais da área de informática que queiram trabalhar com multimídia e Internet é a noção de trabalho num ambiente multidisciplinar.
Para a turma de design, o conselho é mergulhar de cabeça na computação gráfica e nas linguagens que fazem o dia-a-dia da Internet, como HTML e Java. Bruno Fiorentini Júnior, diretor geral da Medialab do Brasil, comenta que o designer que quer trabalhar com Internet deve se especializar em comunicação interativa.
‘‘O programador visual deve ter em mente que não adianta fazer um imagem linda se ela pode demorar dez horas para aparecer na tela do internauta’’ - afirma Fiorentini.
Luiz Amaral, designer multimídia da Z-Movie formado em Desenho Industrial pela PUC-RJ, alerta que os cursos não estão muito adiantados em matéria de multimídia e Internet. Ele conta que a realidade de mercado é muito diferente fora da sala de aula. Para compensar isso, o profissional deve se adaptar ao ritmo de trabalho da empresa e não pode se especializar num único software.
Na Z-Movie, os designers viraram afinadores de micro e criaram macetes para evitar problemas de incompatibilidade com cores e arquivos de som. Guilherme Horn, diretor de Marketing da ATR, uma das pioneiras aqui nas artes da multimídia, conta que a empresa trabalha com três tipos de designer: ilustradores, projetistas de produtos e integradores. Os projetistas se encarregam das embalagens, etiquetas, manuais e toda a programação visual dos produtos. Os ilustradores se dividem em animadores e técnicos, especializados em mapas e infográficos. Para combinar tudo, surge o designer integrador.
Sem papel Difícil é encontrar esse profissional pronto no mercado. Hugo Pucciarelli, diretor da Graphstyle, diz que os programadores visuais saem da faculdade com uma visão muito restrita ao papel. Para ele, a saída é buscar o programador visual nas faculdades e moldá-lo. Esta prática é comum nas produtoras de multimídia e projetos para Internet. Todos preferem contratar quem ainda está na faculdade e formar um quadro de profissionais já especializado na cultura da empresa. Isso é mais comum para os designers e redatores. A turma da Informática, ainda que precise de ajustes, já sai da faculdade com uma bagagem maior.
A área de redação é outro calo para quem trabalha com multimídia ou sites. Como são áreas muito novas, assim como o setor de design, não há profissional sênior com experiência em redação multimídia ou na Internet. A Graphstyle trabalha com uma equipe free-lancer de roteiristas. Pucciarelli conta que é preciso avisar ao redator que multimídia não é vídeo, as imagens e as falas não podem ser longas e ainda há limitações de resolução. Se isso não estiver bem claro, a qualidade do CD-ROM será ameaçada.
André Breitman, dono da Editora Delta, que vai lançar uma enciclopédia no segundo semestre, sentiu na pele a falta que faz uma boa equipe multimídia. Para encontrar programadores, designers e redatores de qualidade, a empresa foi buscar mão-de-obra nas universidades. Os escolhidos foram encontrados nos cursos de mestrado e doutorado.

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