Prisão mostra preparo do FBI
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de abril de 1999
Edinelson Alves, Especial para a Folha 
A prisão de David L. Smith, o suposto criador do vírus conhecido como Melissa, que afetou mais de cem mil computadores em poucos dias, mostra o quanto a polícia americana tem se preparado para enfrentar o crime eletrônico. Entre o surgimento do vírus e a prisão levou pouco mais de uma semana. Período curto, considerando a natureza dessa nova modalidade de crime. Além das forças armadas, o FBI - a polícia federal - também já criou sua equipe de elite para combater o crime cibernético.
Para o FBI, o elucidação do crime e também a prisão do infrator num período relativamente curto, serviu como uma resposta aos espertos em informática que pensavam que o crime eletrônico ficaria na impunidade devido a dificuldade de obtenção de provas. Os investigadores do FBI chegaram a Smith porque os originais gravados no formato Word infectados e encontrados nos primeiros newsgroups deixaram uma espécie de impressão digital, através da qual foi possível chegar ao criador do vírus. É o chamado GUID (assunto abordado na capa deste caderno) - Global Unique Identifier.
Acusado de interrupção da comunicação pública, conspiração e tentativa de cometer trangressão e roubo em terceiro grau de serviços de computador, Smith pode pegar até 40 anos de prisão, além de ser obrigado a pagar mais de US$ 480 mil. Com 30 anos, o programador de Aberdeen foi preso na quinta-feira, na residência de seu irmão, perto de Eatontown, New Jersey. O julgamento de Smith vai funcionar como uma nova matéria no sistema jurídico dos Estados Unidos. Eduard F. Borden Jr., o novo advogado do acusado, começou a defesa de seu cliente afirmando ter dúvidas sobre a acusação de crime imposta a Smith. Segundo Borden, o Melissa não corrompe nenhum arquivo e não apaga nenhum documento. Tudo o que ele faz é passar adiante mensagens a 50 outras pessoas sem causar maiores prejuízos aos usuários ou as empresas, justifica o advogado.


