Primeiro carro autônomo brasileiro é de empresa paranaense

ecoTech 4 Autônomo detecta obstáculos a 50 metros e, após ‘aprender’ determinado trajeto, é capaz de repeti-lo sem necessidade de motorista

Mie Francine Chiba - Grupo Folha
Mie Francine Chiba - Grupo Folha

A condução de transporte autônomo em vias públicas ainda não é regulamentada no País, mas uma empresa de Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) já quer marcar território com a produção de veículos autônomos. No final de janeiro, a Hitech Electric apresentou o que é considerado o primeiro carro autônomo desenvolvido no País. O modelo, chamado de e.coTech 4 Autônomo, é elétrico, tem autonomia de 100 km e comporta até dois passageiros.  


Modelo é indicado para transporte de pessoas ou cargas em ambientes fechados, como aeroportos, parques, pátios fabris, campi, resorts ou clubes
Modelo é indicado para transporte de pessoas ou cargas em ambientes fechados, como aeroportos, parques, pátios fabris, campi, resorts ou clubes | Divulgação
 


O veículo pode ser controlado por um aplicativo não precisa de adaptação na estrutura viária para circular. Ao fazer um determinado trajeto pela primeira vez, com um condutor, o carro já “aprende” o trajeto e é capaz de repeti-lo sem a necessidade do motorista. Por um aplicativo, os usuários podem solicitar a corrida aguardando o veículo em determinado ponto, e pedir que sejam levados a outros pontos pré-estabelecidos.




Veja no vídeo abaixo:

| Autor: Divulgação
 


Câmera e sensores detectam obstáculos a uma distância máxima de 50 metros. O tempo de reação é de 100 milissegundos, que o CEO da Hitech, Rodrigo Contin, considera adequado para a velocidade máxima que o veículo atinge, de 50 Km/h.


O projeto teve parceria com a Lume Robotics, empresa especializada em robótica autônoma e IA (Inteligência Artificial) do Espírito Santo, e com a Positivo Tecnologia.


Enquanto não há regulamentação para uso de veículos autônomos nas vias públicas, o carro será utilizado apenas por empresas dos setores públicos ou governamentais, em ambientes fechados como aeroportos, parques, pátios fabris, campi universitários, resorts ou clubes, tanto para transporte de pessoas quanto de cargas. 


O modelo de comercialização da Hitech é de locação, por 24 ou 36 meses. O valor da locação vai depender das particularidades de cada contrato, afirma o CEO da Hitech Electrics. O custo de produção do carro também não foi revelado. Mas trafegar 100 Km com o modelo custa R$ 4,50, enquanto a mesma distância com um carro comum a gasolina custaria R$ 45.


Até o momento, a Hitech produziu apenas um carro do modelo. Duas empresas já clientes da Hitech pretendem utilizar o produto: uma do setor de televisão e outra do setor de mineração. Uma terceira estaria em negociação.


Embora a sua entrada no mercado de carro autônomo seja recente, a empresa de Pinhais já atua no setor de veículos elétricos há 10 anos. “Acreditamos que a nova mobilidade vai ter uma grande transformação e a indústria automotiva não vai ter como fugir de quatro frentes: elétrico, compartilhado, conectado e autônomo”, comenta Contin.


A empresa tem showrooms em Curitiba, Porto Alegre (RS), São Paulo (SP), Brasília (DF), Fortaleza (CE), Salvador (BA) e, em breve, em Belo Horizonte (MG). Segundo o CEO da Hitech Electrics, “entender o perfil do produto adequado ao mercado brasileiro” e preços acessíveis são os diferenciais que dão condições à marca paranaense de competir com as grandes montadoras no mercado de veículos elétricos e autônomos.


Autônomos, mas sob controle

Com os carros autônomos mais próximos da realidade dos brasileiros, a engenheira Fernanda Gusmão de Lima Kastensmidt aponta alguns cuidados que deverão ser tomados na adoção desse meio de transporte no dia a dia. Para ela, terá de haver, por exemplo, um controle bastante rígido em relação ao acesso ao veículo. “Hoje, quem dirige um veículo é uma pessoa habilitada que responde criminalmente em caso de acidentes. Em veículos autônomos, um responsável deve estar presente. Uma regulamentação deverá ser feita nos próximos anos entre pesquisadores, indústria, institutos e políticos para as pessoas estarem amparadas”, comenta. 




Além disso, em um primeiro momento, o ideal é que os carros autônomos tenham uma pista exclusiva só para eles, opina a engenheira, que também é professora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) e membro do IEEE, organização profissional dedicada ao avanço da tecnologia em benefício da humanidade. “Como esses automóveis possuem inteligência artificial, tornando-os capazes e identificar objetos e pessoas e tomarem ações sozinhos, o ideal é que inicialmente, haja pistas adequadas e reservadas somente para esses veículos.”

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