PRATICIDADE - A experiência do usuário é que conta
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quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Mie Francine Chiba <br> Reportagem Local 
Muitos já devem ter passado por uma situação como esta: diante de uma interface digital, não consegue encontrar ou realizar a tarefa que deseja. Não importa se for uma informação em um website, um comando na interface de um sistema operacional ou em uma cafeteira. O conceito de usabilidade deve atingir todos os tipos de produtos. Afinal, ela pode até determinar se aquele produto será ou não consumido.
E hoje, com o uso cada vez maior de interfaces digitais, o assunto ganha ainda mais importância. ''As interfaces estão ficando cada vez mais complicadas. Antes, elas eram mais simples, com menos funções. Hoje, estamos vendo o que chamamos de computação ubíqua, que é o computador entrando nas coisas e na vida das pessoas'', contextualiza a designer especialista em usabilidade Mileni Kazedani, professora no Instituto Faber Ludens, em Curitiba. Ela vem a Londrina hoje para palestra sobre usabilidade no VIII Seminário de Computação (Secomp) da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
E junto com a ubiquidade vieram as oportunidades de trazer novos recursos dentro dos produtos. Exemplos são os telefones celulares, que antes serviam apenas para fazer ligações. No máximo, lembra Mileni, vinham com agenda e calculadora e eram mais simples de se usar. Atualmente, não se pode dizer o mesmo dos smartphones.
A professora, que faz parte da equipe de User Experience (UX) da Electrolux em Curitiba, conta que os eletrodomésticos também já estão vindo com interfaces digitais e softwares embarcados. Na linha iKitchen, da marca, micro-ondas, refrigeradores, e fogões vêm com um monitor touchscreen. No refrigerador, segundo Mileni, é possível acessar aplicativos com mais de 600 receitas, calendário, contatos telefônicos, deixar recados e exibir fotos, como um porta-retrato digital.
Para que esta tecnologia seja fácil de manusear, conta a professora, a fabricante faz testes práticos com consumidores antes do lançamento do produto. Os testes de usabilidade das empresas, de uma forma geral, são feitos por usuários recrutados de acordo com o público-alvo em laboratórios no exterior da companhia em questão. Conforme Mileni, em nenhum momento eles ficam sabendo qual é a marca do produto, para não contaminar a opinião que será formada.
Os usuários são então orientados a executar determinadas tarefas enquanto uma equipe de especialistas em usabilidade observa o comportamento da pessoa diante do produto. São avaliados quesitos como dúvida, satisfação, aborrecimento ou surpresa, e em que momentos acontecem e em qual tarefa, por exemplo. Um relatório sobre o teste é gerado e a empresa decide se faz ou não mudanças no produto.
A tecnologia touchscreen embarcada na linha de eletrodométicos Electrolux, conta Mileni, é parecida com a de celulares. ''Com isso, a curva de aprendizado é relativamente baixa. A tela tem ícones fáceis de entender''. A especialista diz ter percebido nos testes com a linha uma aceitação muito grande dos usuários, principalmente dos mais jovens. E, claro, uma surpresa muito grande sobre até onde a tecnologia touchscreen pode chegar.
De acordo com a designer, ainda são poucas as empresas que se preocupam em fazer testes de usabilidade e poucas as consultorias existentes para fazer este serviço, mas a importância atribuída à questão vem crescendo. Principalmente as agências que criam websites estão muito preocupadas com a usabilidade de suas ferramentas, uma vez que pode haver até mesmo implicações financeiras provenientes disso.
Serviço:
VIII Seminário de Computação
Palestra sobre Usabilidade com Mileni Kazedani
Quando: Hoje, às 16h20
Local: Departamento de Computação da Universidade Estadual de Londrina - sala 301a
Informações: www.secomplondrina.com.br ou (43) 3371-4678


