Prática musical aumenta tamanho do cérebro
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 12 de agosto de 1998
AE/Reuters 
Tocar um instrumento musical não só melhora a performance como também aumenta o tamanho da região do cérebro que processa os sons, segundo afirmaram pesquisadores alemães.
O neurocientista Christo Pantev e seus colegas da Universidade de Munster, na Alemanha, utilizaram fontes de imagem magnéticas para comparar o cérebro de músicos e de pessoas que nunca tocaram nenhuma nota musical.
Eles descobriram que o córtex auditivo de músicos é cerca de 25% maior do que a mesma parte do cérebro de pessoas que não tocam nenhum instrumento.
Os pesquisadores também descobriram que quanto mais cedo as pessoas começam a praticar música, maior é o desenvolvimento do córtex. Existem evidências claras de que, quanto mais jovem um instrumentista começa a tocar, a atividade do córtex é maior, disse Pantev. Quantos mais cedo começa o treinamento, melhor, acrescentou.
Pantev falou que o cérebro processa estímulos acústicos, como as notas musicais do piano, pelos mapas tonotópicos. Os neurônios, células que transmitem impulsos nervosos, estão agrupados nos mapas cerebrais de acordo com o tom da nota. Mas, pelo fato de os tons musicais serem diferentes dos sons comuns, os neurônios precisam processar as notas mais complicadas.
Segundo Pantev, isto pode explicar porque os jovens músicos desenvolvem extraordinários talentos. Os músicos mais experientes possuem grandes mapas tonotópicos.
O estudo, publicado na revista Nature, sustenta outras pesquisas que mostram a diferença na parte do cérebro que controla as mãos direita e esquerda de músicos que tocam instrumentos de corda. Percebemos que a representatividade dos dedos da mão esquerda é maior que a representatividade dos dedos da mão direita, afirmou Pantev. Os dedos da mão esquerda estão mais envolvidos no processo musical.


