Planeta terá mais dispositivos móveis conectados que pessoas
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quarta-feira, 25 de março de 2015
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
Se alguém disser que uma grande parcela da população mundial tem vários objetos conectados à internet dentro de casa, muitos acharão que isto é um absurdo. Mas não é. Computador, notebook, smartphone, tablet, smart TV, videogame, tudo está conectado à web. E este número de objetos ligados à rede cresce tão rapidamente, que já estão faltando endereços de IP (Internet Protocol) para identificá-los. Por este motivo, a internet está passando, desde os anos 1990, por grandes mudanças para comportar este novo volume de objetos conectados à internet.
Projeções realizadas pela empresa de equipamentos de rede Cisco dão conta que, em 2019, 69% de toda a população mundial será usuária de dispositivos móveis, como tablets e smartphones. Serão mais de 11 bilhões de dispositivos conectados, levando a um índice per capita de 1,5 no mundo e que chegará a 3,1 nos Estados Unidos, por exemplo. Se antes as pessoas tinham, em casa, apenas um computador conectado à internet, a popularização de dispositivos móveis vem aumentando esta proporção consideravelmente, já que cada usuário passou a ter mais de um objeto conectado à rede em casa ou fora dela.
Segundo Antônio Moreiras, gerente de projetos e desenvolvimento do NIC.br, quando a internet surgiu, na década de 1970, nos Estados Unidos, seus criadores não imaginavam que ela tomaria a proporção que tomou hoje. É por isso que o protocolo utilizado atualmente para a comunicação na internet, o IPv4, terá que mudar. Este protocolo, criado em 1983, suporta apenas 4,3 bilhões de endereços IP - número que identifica cada dispositivo conectado à web e permite que eles conversem entre si. "Parece muito, mas a população mundial já é muito maior que isso", comenta Moreiras. O protocolo IPv4 começou a ser projetado nos anos 1970, quando a internet ainda se resumia a algumas entidades governamentais de defesa interligadas em uma rede de computadores nos EUA.
"Não se tinha ideia que a internet iria evoluir da maneira como evoluiu. Se alguém tinha esta ideia, era uma pessoa visionária", diz Moreiras, do NIC.br. Na década de 1990, entretanto, já havia indicativos que o número de endereços de IP suportados pelo IPv4 iria acabar em pouco tempo, e então um novo protocolo de internet, o IPv6, começou a ser projetado, pela Internet Engineering Task Force (IETF). Mas, como a implantação de um novo modelo é oneroso para as empresas, a mudança efetiva para o novo protocolo foi sendo adiada até agora. "O Ipv6 ficou pronto em 1998, e desde lá vem sendo implantado, mas de forma muito lenta", conta Moreiras.
A mudança permitirá que a internet possa crescer ainda mais. "Foi necessária a criação de um novo padrão de endereçamento para viabilizar o crescimento da internet, principalmente se considerarmos que temos cada vez mais dispositivos conectados", comenta Igor Giangrossi, consultor de Engenharia da Cisco. Junto com o IPv6, o espaço para endereços IP será 79 trilhões de trilhões de vezes maior que o espaço disponível no IPv4, afirma a engenheira eletricista Rosângela Tonon, professora da Unopar e da Faculdade Pitágoras, em Londrina. Isso permitirá que, no futuro, ainda mais objetos do dia a dia possam ser conectados à internet. "Iluminação, fechaduras, campainhas, eletrodomésticos, edifícios, roupas", exemplifica ela. A professora emenda que o IPv6 trará também melhorias de segurança.
De acordo com Moreiras, no Brasil, os blocos de endereços IP no protocolo IPv4 se esgotaram em junho do ano passado. O responsável pela distribuição destes endereços é o próprio NIC.br. Desde então, vêm sendo utilizados endereços IP remanescentes dos provedores de internet e uma tecnologia que permite o compartilhamento dos endereços existentes. Isto, entretanto, pode comprometer a navegação na web pelos usuários. "Potencialmente, algumas aplicações podem ter problemas de desempenho. Isto não quer dizer que o usuário não vai conseguir acessar determinados sites, mas esta tecnologia (de compartilhamento de IPs) não se presta a ser utilizada de forma definitiva."


