Pesquisadores adaptam reator para reciclagem de metais
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quarta-feira, 06 de agosto de 1997
Liana John Agência Estado 
Pesquisadores do Laboratório de Química Analítica Ambiental da Universidade de Brasília (LQAA-UnB), adaptaram reatores para reciclagem de metais pesados através de processos eletroquímicos. Este tipo de reciclagem permite a recuperação de metais de valor econômico a partir de rejeitos industriais, com possibilidade de reaproveitamento após fusão. Além disso, o processo pode ser utilizado para despoluição, caso em que os metais são separados do esgoto industrial ou do rejeito, mas não são separados entre si, devendo a mistura de metais poluentes ser disposta em local adequado.
O processo e os reatores utilizados inicialmente na universidade, pela equipe coordenada por Jurandir Rodrigues de Souza, foram trazidos da França, no âmbito de um convênio com um instituto de pesquisas de Toulouse. Através de eletrólise, num sistema radial, os metais dissolvidos no esgoto industrial aderem ao eletrodo de grafite. Depois são separados por fusão.
A equipe de sete pesquisadores, pós-graduandos e graduandos da UnB estuda agora a substituição do eletrodo de grafite por carvão vegetal e o sistema radial por axial, e espera, com isso, obter um rendimento melhor. Atualmente, cada eletrodo de um quilo de grafite recupera cerca de sete quilos de metal dissolvido e o maior protótipo que eles têm processa 200 litros de esgotos por dia.
Tratamento separado Normalmente, as indústrias misturam os diversos tipos de esgoto obtidos em seus processos e depois fazem uma precipitação ou outro tratamento qualquer, apenas para deposição em aterros, com os diversos contaminantes misturados, explica Antônio Moraes Guaritá Santos, do LQAA. Para a reciclagem dos metais, o ideal é tratar separadamente os esgotos de cada etapa do processo industrial, de forma que a solução submetida ao reator contenha menos misturas.
Isso também diminui o volume a ser processado, pois seriam instalados diversos reatores numa mesma fábrica, em diferentes fases do processo, e o esgoto resultante já sairia livre de metais pesados. As indústrias que não utilizarem os metais recuperados em seus processos poderiam revendê-los.
O processo de reciclagem eletroquímica pode ser útil, por exemplo, nas fábricas de circuitos impressos, onde se produz um rejeito líquido com altos teores de cobre. Outro tipo de reciclagem viável é o de pilhas comuns e baterias de carro, uma das principais fontes de contaminação grave do lixo doméstico. As pilhas são ricas em mercúrio e manganês e as baterias são ricas em chumbo. Os três metais são poluentes, se dispensados no meio ambiente, mas tem bom valor econômico quando devidamente recuperados.
Maiores informações através do telefone (061) 3482144 ou no endereço eletrônico lqaaguarany.cpd.unb.br.


