Pesquisa traça a rota
de doenças ancestrais
Ciência Hoje/ ReproduçãoO Trypanossoma cruzi, protozoário causador da doença de chagasAncylostoma duodenale, parasito causador do amarelãoA ancilostomíase, parasitose popularmente conhecida como amarelão, já ocorria no Brasil há mais de 7 mil anos. Pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro, encontram ovos de Ancylostoma duodenale, parasito causador da doença, em coprólitos (fezes fossilizadas) de índios que habitavam a região onde hoje há o sítio arqueológico de Pedra Furada, no Piauí.
‘‘A descoberta de ovos de ancilostomídios em coprólitos de 7.200 anos pode contradizer a teoria clássica de que a ancilostomíase teria sido trazida por europeus e africanos para a América do Sul no período da colonização’’, afirma Adauto Araújo, um dos coordenadores das pesquisas de paleoparasitologia no sítio.
O clima quente e seco da região, e consequentemente do solo, contribuiu para a boa convervação dos ovos do parasita. ‘‘Uma hipótese que podemos levantar é que o amarelão foi trazido para a América do Sul pelos asiáticos através do Pacífico e não atravessando o estreito de Bering, que tem temperaturas baixas’’, explica Araújo.
O grupo da ENSP também está estudando uma nova teoria para a entrada da doença de Chagas no Brasil. O Trypanossoma cruzi, protozoário causador da doença, foi descoberto em quatro múmias de 7.200 anos encontradas no deserto do Atacama (Chile). Segundo Araújo, como a infecção já existia no Chile no período pré-colombiano, com a vinda de índios da região para o Brasil, a doença teria chegado ao País. ‘‘E como o hospedeiro do protozoário encontrou um ambiente propício para a sua proliferação – casas de barro e abrigos rupestres – a doença acabou se alastrando’’, avalia.

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