Arquivo FolhaCom a nova tecnologia, estradas serão pavimentadas seguindo métodos que respondem melhor às condições dos solos brasileirosOs métodos tradicionais de avaliação dos solos, utilizados na pavimentação de estradas de rodagem, baseiam-se em tecnologias desenvolvidas nos países industrializados, com destaque para os Estados Unidos. Como a maioria destes países possui clima temperado, as condições de formação dos solos são muito diferentes daquelas encontradas nos países de clima tropical. Por isso, nem todas as especificações elaboradas na metodologia tradicional servem para os solos brasileiros. Para corrigir as distorções, dois pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), e engenheiros do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Job Nogami (Politécnica) e Douglas Fadul Vilibor (São Carlos), desenvolveram uma metodologia de análise nacional.
Apelidada de MCT (Miniatura Compactado Tropical), a metodologia permite fazer os ensaios necessários à seleção de solos para pavimentação com menos amostras, menos trabalho e uma adequação maior às características dos solos brasileiros. ‘‘Os corpos de amostra para os ensaios têm 5 cm de diâmetro por 5 cm de altura, contra os 10 cm de diâmetro e 10 a 15 cm de altura dos corpos de amostra tradicionais’’, explica Vladimir Coelho, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), de Bauru, interior de São Paulo. ‘‘Com isso, é possível fazer todos os ensaios com 5 kg de amostras de solo, contra os 20 a 25 kg necessários no método tradicional’’. Além de ficar mais fácil para coletar, transportar e manusear as amostras, ‘‘o grau de precisão é um pouco melhor, há menos dispersão de resultados’’, garante Coelho.
CaracterísticasOs solos tropicais mais adequados à pavimentação são os lateríticos, de ocorrência muito frequente em todo o País. Os solos laterísticos tem uma composição mineralógica diferente, com mais óxidos e hidróxidos de ferro e alumínio, maior uniformidade, poucas argilas minerais e predominância de caulinita. Tais características facilitam a compactação adequada à pavimentação e evitam problemas (movimentação da pista, expansão, estufamento etc). Nogami e Vilibor desenvolveram também a tecnologia para execução da pavimentação, com as recomendações de controle de erosão e outros detalhes importantes na pavimentação com solos lateríticos. Eles publicaram recentemente um livro, com mapas indicando a ocorrência destes solos.
A equipe de Vladimir Coelho, na Unesp, está analisando os solos da região de Bauru, de acordo com esta metodologia, para futuramente elaborar mapas detalhados. A tecnologia, já vem sendo utilizada pelo DER de São Paulo e do Paraná e a Unesp Bauru tem promovido cursos de treinamento para estudantes e engenheiros formados, com o objetivo de difundí-la para outras localidades.
Maiores detalhes sobre os cursos e a tecnologia de pavimentação de solos podem ser obtidos com Vladimir Coelho, através do endereço eletrônico vcoelhoazul.bauru.unesp.br ou pelo telefone (014) 230-2111, ramal 195.

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