Pesquisa desvenda o mar brasileiro
O Brasil conhece pouco seu mar. A faixa compreendida entre 12 e 200 milhas náuticas, chamada Zona Econômica Exclusiva (ZEE), jamais foi estudada detalhadamente. São 3,5 milhões de quilômetros quadrados esquecidos pela ciência e pouco explorados pela pesca nacional. Para reverter essa situação, mais de 30 instituições de pesquisas estão trabalhando conjuntamente em um projeto de âmbito nacional: o programa Revizee, sigla para Avaliação do Potencial Sustentável de Recursos Vivos na Zona Econômica Exclusiva. São universidades, centros, museus e institutos que pretendem, sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal (MMA) e com a ajuda de vários outros órgãos governamentais, realizar uma estimativa de toda a biomassa na ZEE brasileira.
Na faixa de mar territorial, até 12 milhas, diversas espécies de peixes e crustáceos encontram-se ameaçadas pela sobrepesca. É o caso da sardinha e do camarão em algumas regiões, afirma Paulo Costa, responsável pela área de dinâmica de populações no Subcomitê Central do Revizee e professor da universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio). Para que isso não aconteça na ZEE, o programa criará limites de pesca por espécie em cada região para que os ecossistemas marinhos não sejam afetados. Trata-se de um importante passo para o desenvolvimento sustentável.
Não serão apenas dados de prospecção pesqueira que ajudarão os cientistas a traçar o perfil da vida na ZEE. O estudo dos aspectos físicos, químicos, geológicos e meteorológicos do mar será realizado para delimitar as áreas mais prováveis de ocorrência das espécies. A concentração de oxigênio, a temperatura e o pH das águas são alguns dos fatores que podem ser determinados para a presença de certos seres vivos. Cardumes de peixes, como o bonito ou o atum, aparecem na superfície dependendo da variação de temperatura e da concentração de oxigênio dissolvido, explica Carlos Eduardo Rezende, do Centro de Biociências e Biotecnologia da Universidade do Norte-Fluminense (UENF) e coordenador da área de Oceanografia Química no subcomitê central do programa. Também terá destaque a análise das concentrações de nutrientes inorgânicos como o silicato reativo, o ortofosfato, o nitrato e o nitrogênio amoniacal. Esses testes fornecem importantes informações sobre a fertilidade e a história biológica das águas marinhas.ReproduçãoA concentração de oxigênio e pH das águas são fatores que serão determinados
Fernando Paiva
Ciência Hoje





