Pesquisa busca variedades para o consumo humano
Pesquisa busca variedades
para o consumo humano
Grande parte dos 31 milhões de toneladas de soja produzidos no Brasil é destinada à industria de óleo, mas o uso direto da soja e de seus derivados na alimentação humana ainda não é comum entre os brasileiros. A aceitação limitada da soja também é atribuída a características inadequadas das variedades produzidas no Brasil.
Desde 85, o Programa de Melhoramento Genético da Embrapa Soja busca desenvolver cultivares de soja mais adequadas ao consumo humano. O primeiro resultado é o desenvolvimento da BRS 155, recomendada pela pesquisa desde 98, mas que só nesta safra está sendo introduzida no mercado.
A variedade, indicada para cultivo no Paraná e em Santa Catarina, reduziu em 70% o inibidor de tripsina, (fator antinutricional que inibe a digestão de proteínas). Com isso é possível melhorar a qualidade da proteína da soja. Outra vantagem é a diminuição do custo de processamento do grão, por causa da redução do tempo com tratamento térmico, processo necessário para baixar o teor do inibidor de tripsina, explica Mercedes Concordia Carrão Panizzi, pesquisadora da Embrapa Soja, na área de melhoramento genético e ciências de alimentos.
Segundo ela, a BRS 155 foi testada por uma indústria de alimentos japonesa, para produção de natto, alimento fermentado muito utilizado no Japão. A variedade foi considerada adequada pelo sabor e textura que ela dá ao produto. Isso é uma forma de ampliar o mercado de exportação, avalia.
Nesta safra, a adaptação de cultivares com características específicas para o consumo humano passa a ser tratada com mais exclusividade pelo Programa de Melhoramento Genético. Linhagens avançadas (plantas com característias fixas), estão sendo testadas em ensaios específicos para avaliação de rendimento e adaptação, tanto em sistema convencional quanto no sistema orgânico.
Um dos objetivos dos cruzamentos é melhorar o sabor da soja, que é determinado pela ação de uma enzima (lipoxigenase). A pesquisa está testando linhagens que controlam a presença dessa enzima, porque queremos melhor a qualidade do sabor da semente, revela.
Os ensaios também vão avaliar o teor proteíco na soja, que tradicionalmente é de 40%. Com os trabalhos de melhoramento genético, as variedades podem ter até 47% de proteína. Os aspectos físicos dos grãos, tais como tamanho e hilo claro - o que não provoca escurecimento do produto quando processado - são características importantes e que vem sendo cada vez mais exigidas pelo mercado, diz a pesquisadora.
Mercedes Panizzi explica que os ensaios também pretendem observar o comportamento das isoflavonas, substância com estrutura semelhante ao estrógeno (hormônio feminino) e que colaboram para a prevenção de doenças crônicas. Geneticamente, as cultivares apresentam maior ou menor teor de isoflavonas e esse fator já é um critério de compra do produto exigido, principalmente pelos japoneses.
A pesquisadora diz que o clima também pode colaborar para potencializar a quantidade de isoflavonas, presentes na variedades. Se a temperatura média for fria, no período de enchimento do grão, o teor de isoflavona aumenta. Essa é uma informação importante para os produtores de determinadas regiões do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e parte do Paraná, onde o clima é mais frio que em outras regiões produtoras.





