A Cray Research, subsidiária da norte-americana Silicon Graphics, acaba de lançar o maior e mais poderoso supercomputador que proporcionará um importante avanço para a pesquisa científica. O sistema T3E-900, equipado com 1.328 processadores, obteve resultados recordes de performance em testes recentemente realizados com aplicações extremas, como pesquisa química, científica e de meteorologia, aumentando em muito os limites previamente estabelecidos.
Durante três semanas, um grupo de cientistas, representando diferentes áreas de estudo, comprovou que o novo sistema permite obter avanços em vários campos da ciência. O dr. Kelvin Droegemeir, diretor do Centro de Análise e Previsão de Tempestades da Universidade de Oklahoma, um dos investigadores envolvido nos testes, disse que ‘‘o tempo que passamos a trabalhar com o T3E-900, permitiu observar como podemos antecipar a previsão de tempestades em 30 minutos, até um máximo de seis horas’’.
Para Irene Qualters, presidente da Cray Research e vice-presidente da Silicon Graphics, ‘‘a linha de supercomputadores T3E oferece acesso a níveis nunca vistos anteriormente’’. Segundo ela, o teste conjunto realizado pelos cientistas, não visava apenas demonstrar a capacidade e a eficiência do supercomputador, mas também conhecer a utilização prática de sistemas paralelos com mais de mil processadores. Baseada em Eagan, Minnesota, a Cray Research tem tradição na produção de supercomputadores, tendo espalhados seus produtos em mais de 100 universidades de vários países.
Produto estratégico Os supercomputadores são hoje um dos mais cobiçados produtos estratégicos. Eles fazem a diferença em todos os campos da pesquisa, praticamente limitando a uma segunda categoria de desenvolvimento os países que não dispõem dessas poderosas máquinas. Os supercomputadores são tão importantes, estrategicamente, que os Estados Unidos e Rússia estão revivendo lances dignos dos conflitantes anos da Guerra Fria. Tudo porque 16 computadores avançados da IBM foram vendidos, através de uma operação clandestina, para a Rússia.
Os avançados aparelhos só chegaram a Rússia porque as leis norte-americanas de controle de exportação foram burladas. Os computadores foram instalados no laboratório de Arzamas-16, uma cidade fechada onde a Rússia projeta sua bomba de hidrogênio. É tão importante a utilização desses computadores que a venda irregular estremeceu as relações entre as autoridades de Washington e Moscou. Os norte-americanos querem os aparelhos de volta, mas os russos não concordam com a devolução, alegando que a compra foi feita legalmente nos escritórios da IBM, na Alemanha. A questão é a seguinte: na ausência de testes nucleares, as simulações por computadores é uma das principais alternativas para avaliar o possível funcionamento das armas nuclerares.
Disputa comercial Além da disputa estratégica com a Rússia, os supercomputadores também levaram os Estados Unidos a batalha comercial. Desta vez contra o Japão. Em agosto, o Departamento do Comércio dos EUA divulgou um parecer final acusando a NEC de ter vendido para empresas norte-americanas os supercomputadores Vector por preço desleal. A retaliação foi gigantesca. Foi decretada uma tarifa antidumping de 454% sobre o valor do equipamento. Também foram impostas tarifas de 173% sobre os supercomputadores da Fujitsu e de 313,5% sobre todos os outros supercomputadores japoneses.
Com essa dura penalização, o Departamento de Comércio quis, sem meias palavras, excluir as empresas japoneses de competir nos Estados Unidos. O mais curioso nesse caso, é que os supercomputadores tinham sido adquiridos por um órgão do governo norte-americano, no caso, o Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica.

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