E quem tende a sobreviver nesse mercado? Segundo projeções do IDC Brasil, dos 11 provedores gratuitos atualmente em atividade no País, apenas dois ou três (fora os criados por bancos) estarão em atividade no fim de 2001. Segundo João Bustamante, analista de Internet da empresa, o que torna difícil a vida dos provedores de acesso gratuito no Brasil é o próprio perfil do internauta.
‘‘O usuário Web brasileiro pertence, em sua absoluta maioria, às classes A e B’’, diz. ‘‘Ele procura qualidade no provimento, e pagar R$ 20 por serviços agregados não o afeta. O custo que ‘pega’ não é o do acesso, mas o do telefone. Não por acaso, 85% a 90% deles têm os dois tipos de acesso, gratuito e pago.
O outro lado da via-crucis que a Internet grátis atravessa está no escasso potencial da receita pretendida. ‘‘Veja, uma pesquisa feita no ano passado com provedores pagos revelou que 62% do faturamento vinha do próprio custo do acesso’’, explica João. ‘‘Este ano, com a mudança do modelo de negócio, esses 62% desapareceram e foi necessário buscar outras fontes de receita, como o comércio eletrônico e a publicidade. Ambas fontes são limitadas.’’
Para Bustamante, como a média geral da fatia de publicidade on-line fica, segundo outros levantamentos, em torno de R$ 60 milhões (para todos os provedores), ocorreu uma verdadeira guerra entre as empresas por um retorno impossível de obter. Bustamante diz que esse modelo só daria certo a longo prazo, com a Web atingindo outras classes sociais.
Para Michel Hannas, presidente do Tutopia, a crise já era esperada há algum tempo. ‘‘O acesso grátis tem custo significativo’’, afirma. ‘‘Sabia-se que o retorno não viria no curto prazo.’’ (Agência OGlobo)

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