Pega, mata e come
No folhiço do chão da mata, o sapo-pulga relaciona-se com várias outras espécies criptozóicas, como são chamadas as que vivem escondidas no ambiente. Algumas são suas presas e outras seus predadores. Em certa ocasião, enquanto era feita a triagem, foi encontrada uma formiga da espécie Pachycondyla striata transportando um indivíduo de sapo-pulga já morto. Embora não tenha sido presenciado qualquer ataque, para confirmar a predação, a observação sugere que essa formiga seja um dos predadores.
A análise do conteúdo estomacal do sapo-pulga indicou que, na Ilha Grande, sua dieta abrange formigas, aranhas, besouros, ácaros, colêmbolos, pseudoescorpiões, isópodos e larvas. Todas as presas, porém, são de tamanho muito pequeno. A maior parte da dieta é composta pelos ácaros, aracnídeos muito pequenos que existem em grande quantidade no folhiço. Na pesquisa, os ácaros constituíram 57% do número de presas enquanto os colêmbolos representaram 21%. É provável que ácaros e colêmbolos predominem não porque o sapo-pulga seja uma espécie seletiva, mas porque o universo de possíveis presas é reduzido para um predador tão pequeno.
Os valores encontrados para a população da Ilha Grande mostram, pela primeira vez, a quantidade de indivíduos e biomassa de sapos-pulga existentes por unidade de chão da Mata Atlântica. Tais dados reforçam a importância das florestas do Tinguá, de Teresópolis, de Petrópolis e da Ilha Grande como redutos para a conservação dessa curiosa espécie, especialmente se considerarmos que ela parece viver apenas nessas poucas áreas de Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro. (C.F.D. Rocha e Monique Van Sluys)





