Pedagoga defende limitação no uso dos computadores
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de fevereiro de 2001
Emerson Cervi De Curitiba 
Na escola Terra Firme, em Curitiba, não há pressa para fazer os alunos começarem a teclar nos computadores. Como conteúdo de disciplina, a informática entra no currículo da escola apenas a partir da 5ª série. No ensino fundamental, de 1ª a 4ª, os alunos são desestimulados a se aproximar de computadores, ao contrário das escolas tradicionais. Aqui na Terra Firme, durante o ensino fundamental eles podem fazer pesquisas na internet, mas não é permitido o uso excessivo do computador, explica a pedagoga e diretora da escola, Sandra Cornelsen.
Segundo a pedagoga, que tem pós-graduação em educação infantil na Universidade de Londres, o contato precoce e continuado com computadores cria uma certa dependência dos alunos a essa ferramenta. Com isso, eles podem se afastar dos livros e até a 4ª série é muito importante que se crie o hábito da leitura. A escola possui cerca de 90 alunos do ensino fundamental. Os pais são informados da decisão da direção pedagógica sobre o ensino de informática e concordam.
As escolas que seguem a corrente construtivista, como a nossa, têm como objetivo principal estimular a criatividade da criança e fazer com que ela construa seu próprio aprendizado, explica Cornelsen. Na opinião dela, tendo a informática como conteúdo disciplinar ao invés de ser apenas um instrumento, a criatividade é limitada. Não sou radicalmente contra a informática no ensino fundamental, mas ela deve estar à disposição do aluno para estimular sua criatividade e não restringir o desenvolvimento da criança.
Além das limitações de uso dos computadores, a escola Terra Firme também não adota livro didático ou apostila. Esse tipo de material limita o aprendizado e o torna fragmentado, de acordo com a pedagoga. Preferimos trabalhar com textos apresentados pelos professores ou produzidos por grupos de alunos, que colaboram muito mais para o desenvolvimento individual das crianças, completa.


