Para ter saúde de ferro
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quarta-feira, 10 de junho de 1998
Chiara Papali Especial para Folha Ciência 
A falta de pequenos elementos químicos, principalmente metais, pode levar o corpo humano a manifestar uma série de doenças. Esses elementos, chamados oligoelementos, estão presentes no organismo em pequenas quantidades e garantem o bom funcionamento da cadeia de reações bioquímicas.
Esta semana, o professor Fernando Gonçalves, doutor em oligoterapia, esteve em Londrina para explicar o método terapêutico, que repõe os oligoelementos em falta no organismo, além de, segundo ele, curar e prevenir doenças.Se a pessoa está muito debilitada, com muita fadiga, por exemplo, o uso conjunto de cobre, ouro e prata pode inverter este processo, explica Gonçalves.
O tratamento com oligoelementos é personalizado e adaptado a cada paciente. Além da enfermidade, também são consideradas as características psicológicas e intelectuais da pessoa e até mesmo o seu tipo de sono. Fernando Gonçalves explica que a partir desses dados é possível delinear a diátese (predisposição em contrair determinadas doenças) do indivíduo.
No final da Idade Média, os princípios da oligoterapia já eram utilizados como conhecimento popular. Um exemplo era a aplicação de esponja marinha assada em pessoas com bócio (hipertrofia da glândula tireóide). Hoje sabe-se que o iodo contido nas esponjas intervinha no metabolismo desta glândula.
Outro exemplo da cultura popular no tratamento de doenças, segundo Fernando Gonçalves, era a utilização de limalhas de ferro no vinho. A bebida era ministrada a pessoas com clorose (doença do sangue associada à falta de ferro), hoje desaparecida.
A falta de oligoelementos no corpo humano pode ter várias causas segundo o especialista. Ele cita como exemplo o stress, o álcool, o tabaco, o uso de drogas químicas, a ingestão contínua de carne vermelha, mas, principalmente, uma alimentação deficiente.
Vários elementos como o cobre, o ferro, o iodo e o zinco podem e devem ser encontrados nos alimentos. O zinco, por exemplo, muito utilizado no tratamento de impotência sexual, pode ser encontrado em alimentos como agrião, cebola, ervilhas, levedura de cerveja e mariscos.
O selênio, elemento antioxidante, usado para combater a velhice prematura e a arteriosclerose, é encontrado no germen de trigo, no alho, na cebola e na ostra.
Gonçalves explica, no entanto, que para se obter os efeitos pretendidos, a utilização desses metais deve ser feita na forma iônica, que permite mais rapidez das reações bioquímicas. Ou seja, pequenas doses são administradas via sublingual, através das glândulas salivares. Dessa forma, os oligoelementos funcionam como catalizadores. Em um percurso que, segundo o especialista, tem uma duração aproximada de cinco minutos, os oligoelementos chegam até a célula e ativam o seu funcionamento.
O tratamento com oligoelementos, de acordo com Fernando Gonçalves, também potencializa o efeito de outros medicamentos, como os antibióticos. Se você precisa tomar um antibiótico por dois meses, com o uso combinado de oligoelementos é possível reduzir o tempo de administração do medicamento para um mês. Isto reduz também o prejuízo que o remédio causa à flora intestinal, explica Gonçalves.
O professor diz que os oligoelementos também têm ação preventiva. Ele cita como exemplo o uso de cobre, que previne as gripes tão comuns nesta época do ano. E os efeitos são ainda melhores quando se faz uma associação com vitaminas.
Mais informações podem ser obtidas no Centro de Naturopatia Aplicada, rua Emílio de Menezes, 81, Londrina/Pr. Fone (043) 321-3118


