Carmem Murara
De Curitiba
Cometer erros em relação à Internet poderá ser crucial e custará a existência de qualquer empresa que têm planos de crescimento e está se estruturando para entrar definitivamente no mercado virtual – o e-commerce (comércio eletrônico). A avaliação é do publicitário e presidente da Associação de Mídia Interativa (AMI), Antonio Rosa. Ele será um dos palestrantes na feira Mídia 2000 que começa hoje, no pavilhão de exposições do Parque Barigui, em Curitiba. Rosa falará sobre a comunicação online e sobre os negócios que avançam pela Internet.
Na avaliação do presidente da AMI, o comércio eletrônico no Brasil começa a dar os seus primeiros passos. Ele cita como exemplo de iniciativa bem sucedida o caso que aconteceu com os bancos, que investiram nos serviços eletrônicos. ‘‘Temos provavelmente o melhor caso de home-banking do mundo’’, diz o publicitário. Rosa aponta o Bradesco, que teve um ‘‘impressionante’’ progresso desde que começou a se dedicar ao assunto.
Diretor da Dainet Assessoria e com 25 anos de atuação no mercado da publicidade, Antonio Rosa diz que o comércio é a razão da própria empresa e, por isso, todas terão o maior interesse em vender produtos e serviços pela Internet a curto prazo. Quem não se dedicar ao espaço virtual dos computadores correrá o risco de perder mercado, o que inviabilizaria qualquer negócio.
Hoje estima-se que haja no País em torno de seis milhões de internautas. Os dados são da própria Associação de Mídia Interativa. Sem exceção, todos os usuários da Grande Rede são potenciais consumidores e, como tais, estão sujeitos a receber todo o tipo de propaganda. Ele diz que há uma tendência de haver cada vez mais empresas se convencendo de que a Internet é um excelente canal de comunicação e uma mídia eficiente.
Pesquisa divulgada na última semana pela Ernst & Young e publicada pelo jornal ‘‘O Estado de S.Paulo’’ prevê que este ano ocorrerá uma duplicação nos negócios fechados pela Internet, o que representará algo em torno de US$ 50 bilhões em todo o mundo. A mesma pesquisa diz que 17% das famílias norte-americanas e 10% das famílias européias utilizam a rede mundial de computadores para comprar produtos e serviços.
Sobre o futuro da Internet, Antonio Rosa diz que a tendência é haver preços mais baixos e acessos mais rápidos. ‘‘Em curto prazo teremos ainda novas opções de acesso, entre elas a navegação pelo telefone celular, que estará disponível ainda no primeiro trimestre do ano’’, afirma o publicitário.
Outra mudança será o acesso através de aparelhos de televisão, que dispensarão o uso de computadores. O sistema é o WebTV. O cable-modem é mais uma forma alternativa, que já está disponível para os interessados em acessar a Internet. Rosa lembra que o sistema permite mais velocidade e traz a vantagem de liberar a linha telefônica.
‘‘Não podemos deixar de destacar que temos ainda os satélites de comunicação em banda KA, que entrarão em operação em breve’’, cita. Antonio Rosa indaga se estamos preparados para acompanhar o avanço da tecnologia.
Ele diz ainda que o mercado publicitário trabalhou, em 99, com o objetivo de levar para a Internet pelo menos 1% do mercado publicitário convencional, o que representou R$ 80 milhões. ‘‘Há dois grandes diferenciais em relação à mídia tradicional, que é a interatividade e a força crescente do comércio eletrônico’’, afirma. Segundo ele, nos Estados Unidos a mídia na Internet já é um mercado consolidado. A Associação de Mídia Interativa projeta investimentos de R$ 160 milhões em publicidade na Internet para este ano.

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