Para líder em biociências, pesquisa deve ter regras
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quarta-feira, 12 de março de 1997
Paulo Pegoraro Sucursal de Cascavel 
Edson MazzettoHeinz Imhof (à esquerda) e o presidente da Coopavel Dilvo Grolli: visita ao Brasil para divulgação de nova variedade de milhoO agrônomo Heinz Imhof, um dos presidentes do grupo suíço Novartis, considerado como maior do mundo em biociências, acha que a pesquisa científica deve observar preceitos éticos e regras muito claras, inclusive escritas, para que interferências como as da biogenética e clonagem de seres sejam benéficas ao ser humano. Imhof esteve em Cascavel no final da semana, como parte do roteiro de sua primeira visita ao Brasil desde que as empresas Ciba e Sandoz se uniram, no final de 96, surgindo a Novartis.
O grupo, que atua principalmente com alimentos, medicamentos e sementes, investe em pesquisa 15% de suas vendas na área farmacêutica e 10% do agribusiness (negócios que envolvem a agropecuária). Heinz Imhof disse haver justa preocupação em todo o mundo com as pesquisas sobre genética humana, em especial com a clonagem já que, segundo os cientistas, em dois anos será possível produzir pessoas com o mesmo componente genético de outras.
Heinz Imhof salientou que em países onde a pesquisa é mais avançada há organizações científicas muito fortes, que podem estabelecer limites aceitáveis para experiências. Apesar disto, observou que pode ser interessante haver animais uniformes, permitindo avanços no transplante de órgãos, de animais para humanos - como já se observa em pesquisas envolvendo suínos. Segundo o presidente da Novartis, também no campo vegetal, especialidade do grupo, há regras e ética a serem obedecidas, para preservar o interesse direto do ser humano.
MilhoHá um mês, a organização obteve do governo brasileiro autorização para testes finais para introdução no País de um tipo de milho com produtividade até 30% superior, resultado de um gene (unidade genética) que torna o cereal imune à uma praga (broca), dispensando-se o uso de agrotóxicos para combatê-la. Heinz Imhof relatou que tecnologias disponíveis permitem alterar a composição das plantas, para que tenham maior valor nutritivo, o que resulta também na prevenção de problemas de saúde.
As pesquisas consideram ser preciso produzir alimentos em maior quantidade e com melhor qualidade, porque a cada segundo nascem três crianças no mundo. Por isso, a oferta mundial de alimentos básicos deveria crescer 2,5% ao ano. Heinz observou que todo o trigo estocado no mundo (117 milhões de toneladas) garante o abastecimento apenas durante 48 dias. Em Cascavel, onde a Novartis tem unidade de pesquisa, Heinz Imhof visitou também o frigorífico da cooperativa Coopavel, onde foi recebido por seu presidente, Dilvo Grolli.


