Rita Tavares,
Agência Estado
O e-book (livro eletrônico), que hoje custa entre US$ 100 e US$ 200 na América do Norte, é uma das tendências irreversíveis da informática para os próximos anos. A avaliação é do brasileiro Jean Paul Jacob, gerente de pesquisas do centro IBM de Pesquisas de Almaden, nos Estados Unidos. Ele esteve recentemente em São Paulo, participando do Congresso Internacional de Automação Bancária, promovido pela Febraban.
No mesmo formato de um livro tradicional, mas com seu conteúdo modificado infinitas vezes através de um CD-ROM, o livro eletrônico é uma compra para muitos anos. Um único CD, por exemplo, pode trazer hoje o conteúdo de 300 livros, com a vantagem, para o leitor, de ter o tamanho dos caracteres ajustados de acordo com necessidades específicas, além dos recursos de interatividade oferecidos pelo próprio computador.
Para quem pensa que isso é impossível ou pouco provável, Jacob listou quatro tecnologias de domínio amplo na atualidade que eram desconhecidas ou inexistentes há cerca de dez anos. Estas tecnologias são: celulares, softwares inteligentes, Internet e CDs.
‘‘Quando se pensava em computadores no passado, nós subestimamos a necessidade do ser humano de se comunicar’’, avaliou Jacob. ‘‘Pensávamos que, com o computador, cada pessoa ficaria distante das outras.’’
Há dez anos, quando se falava que os discos de vinil seriam substituídos pelos CDs, a incredulidade era quase absoluta. Os celulares, que eram raros no final dos anos 80, já são 200 milhões em todo mundo hoje. Em 1999, outros 150 milhões serão vendidos. A Internet, que tem 150 milhões de usuários em todo o mundo, é um instrumento que ainda não atinge sequer 1% da população mundial, o que evidencia sua enorme potencialidade de expansão nos próximos anos.
Neste momento, os laboratórios de pesquisa das grandes empresas, inclusive da IBM, desenvolvem produtos que permitirão às pessoas se comunicarem com objetos e que os objetos se comuniquem entre si. As características biomédicas, segundo Jacob, serão usadas para que as pessoas se comuniquem com os objetos.
Por US$ 49, por exemplo, já é possível comprar, nos Estados Unidos, uma pequena leitora de impressões digitais que substitui os cartões magnéticos de bancos, nos caixas eletrônicos.
Além da identificação da voz e desta aliada às características de identificação facial, Jacob citou a íris como uma das características biomédicas que mais ganham força entre pesquisadores e empresas para utilização no futuro próximo. Tendo 365 características, a íris gera uma identificação perfeita de uma pessoa. O Citibank e o Bank of America, nos Estados Unidos, já estão fazendo experiências com essa tecnologia.
Quando fala de comunicação entre objetos, Jacob está tratando de tecnologias que ainda estão nos laboratórios de pesquisa. É o caso, por exemplo, de pequenos transistores (transpointers) que poderão ser agregados a qualquer produto. Através deles, os códigos de barra de leitura poderiam ser aposentados.
Assim, num exemplo da vida coitidiana, Jacob disse que o consumidor não precisaria tirar suas compras do carrinho do supermercado ou sequer passar por uma caixa para pagamento. Seria suficiente cruzar uma leitora e dar um aval para a lista de compras num painel.

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