Papel se rende à tecnologia do e-book
Mauricio Della Barba
De Londrina
Rendam-se leitores, pois os livros virtuais estão chegando. Abandonem as páginas de papel, parem de dobrar as orelhas e esqueçam os marcadores de página. Os e-books, pequenas máquinas computadorizadas, pretendem tornar o hábito da leitura um pouco mais moderno e confortável.
A mania já começa a cair no gosto dos norte-americanos, que contam com vários equipamentos à venda e inúmeras bibliotecas virtuais, responsáveis pelo abastecimento literário dos equipamentos.
O pequeno e-book possue o formato, as mesmas dimensões e o peso parecido com o de um livro médio de papel. Feito todo de plástico duro, em vez do papel, apresenta uma tela de cristal líquido monocromático. É possível apoiá-lo sobre a mesa ou segurar nas mãos, em uma leitura de sofá ou de cama.
O peso dos e-book disponível nos Estados Unidos varia de 650 gramas até dois quilos. Já o preço - um dos fatores mais problemáticos para facilitar a venda dos e-books uma epidemia - oscila entre US$ 200 a até US$ 1.500.
Entre as opções do mercado, podemos considerar dois equipamentos: o Rocket eBook, da Nuvomedia; e o Softbook Reader, da Softbook (veja texto ao lado). Ambos são de uso simples e apresentam recursos básicos para uma leitura agradável.
No e-book, quase todas as manias dos leitores da era do papel são possíveis de serem praticadas. Se a letra estiver pequena demais, ou a vista cansada, basta um simples toque no botão para que as palavras aumentem de tamanho. Também pode-se sublinhar trechos, escrever na margem com uma caneta especial, dobrar o canto das páginas, inserir uma página em branco para anotações e até procurar aquela palavra perdida.
Para carregar o e-book, basta ir à livraria mais próxima na Internet e escolher seu título preferido. Nos EUA, várias páginas já oferecem downloads de livros gratuitamente ou a preços módicos. A maioria são clássicos da literatura. As edições mais atuais ainda são raras e caras, pois há um certo receio das editoras em apoiar o sistema virtual de leitura, assustadas com o fantasma da pirataria.
Na tentativa de reverter essa situação, os fabricantes de e-books tentam encontrar um meio de bloquear a duplicação não autorizada de títulos. A Adobe System saiu na frente e oferece o PDF Merchant, um software que dificulta a pirataria.
Já a Microsoft ataca os e-books com uma nova tecnologia, chamada de Clear Type. Além de melhorar os caracteres, o sistema fixa o espaço errático entre as letras e linhas que dificulta a leitura nos aparelhos. O Microsoft Reader, um programa de livro eletrônico baseado no Clear Type, deve aparecer em uma nova geração de Pocket PCs que cabem na palma da mão, a ser lançada nesta quarta-feira, nos EUA.
Enquanto a solução não chega, alguns escritores tentam forçar a aceitação dos e-books, oferecendo - de forma irresistível - seus novos livros exclusivamente para o sistema. Exemplo disto, é o escritor Stephen King, que já está vendendo seu novo conto Riding the Bullet por apenas US$ 2,50. O sucesso foi tamanho, que nas primeiras 24 horas do lançamento do livro eletrônico, foram vendidas 400 mil cópias.
No Brasil, onde ainda quase é inexistente o e-book, vários livros em português já podem ser obtidos via Internet em sites como eBooks Brasil, www.ebooksbrasil.com. Existem mais de 300 títulos disponíveis para reprodução eletrônica gratuita, desde clássicos como O Navio Negreiro de Castro Alves e Quincas Borba de Machado de Assis, o contemporâneo Amor por Anexins, de Artur Azevedo até o uma versão de dicionário Inglês-Português-Inglês.
Mesmo sem ter um e-book, no mesmo site você pode ler, de maneira personalizada, as edições de alguns livros na tela de qualquer computador. Para isso, basta fazer um download do sistema eRocket. Na dúvida, procure o Guia do Usuário ou o Tutorial do programa em português, acessíveis na página.
Além dos clássicos nacionais eBooks Brasil, a Virtualbooks, em www.terra.com.br/virtualbooks também apresenta grandes obras internacionais. Já no novíssimo HotBook, www.hotbook.com.br, especializado em obras de autores desconhecidos do grande público, o leitor interessado pode fazer o download gratuitamente, quantas vezes quiser. Os direitos autorais são pagos por patrocinadores, que têm direito a banners no site da editora.
A idealizadora desta editora virtual, Renata Rizzo, diz que a idéia é conquitar os pequenos anunciantes para ajudar os novos autores a publicar obras que as editoras comuns não consideram rentáveis, dentro do espírito de difusão geral de informação da Internet.
Entre as obras já oferecidas por autores interessados no HotBook há romances, poesias, peças teatrais, artigos e até literatura de cordel
Para os e-books conquistarem os consumidores, os fabricantes ainda terão que investir muito em marketing. Também será preciso convencer as editoras a oferecer mais títulos a preços mais baixos. Para reduzir os custos, os fabricantes precisam vender milhões de unidades, e não milhares. E as editoras querem incentivo de um mercado de massa. Para nós, usuários tupiniquins, resta esperar. Quem sabe, sentados, com um livro na mão...





