PALMTOP é o pequeno que satisfaz
Mais sofisticados e, ao mesmo tempo, repletos de funcionalidades, os organizadores pessoais já têm um lugar garantido no mercado nacional
Arte sobre foto/José Marcos da Silva/Vagner ArantesPalmtops e handhelds despertam o sonho de consumo de qualquer micreiro ou aficionado por tecnologia, e estão cada vez mais presentes nas empresas, nas mãos de profissionais liberais e nas áreas de vendaAgência O GloboEm função do crescimento deste setor, os fabricantes de organizadores pessoais começam a diversificar os lançamentos, trazendo para os brasileiros um produto para cada tipo de bolso.
No mês passado, três lançamentos causaram frisson nos consumidores. A Compaq apresentou o Aero 2130, e a 3Com lançou dois novos modelos da família Palm. Valéria Molina, gerente de Produtos Portáteis da Compaq Brasil, diz que aqui o público-alvo do Aero, um concorrente direto dos integrantes da família Palm/3Com, é formado por executivos, profissionais liberais e empresas que estão investindo na automação do ponto de venda.
Com os lançamentos dos modelos Palm IIIx e Palm V, a 3Com também aposta no mercado corporativo. Mas a sofisticação do Palm V, confeccionado em alumínio anodizado e com um design arrojado, é a estratégia da 3Com para garantir um lugar de destaque para o produto no bolso dos executivos mais exigentes e dos usuários domésticos que têm contas bancárias compatíveis com suas ambições tecnológicas. O charmoso Palm V custa aqui cerca de R$ 1.400,00. Já o Palm IIIx, que tem mais 2Mb de memória que seu antecessor, o Palm III, vem cheio de funcionalidades, para agradar a gregos e troianos.
O mercado de handheld no Brasil é voltado a três segmentos: executivos, que precisam carregar seus arquivos quando viajam; profissionais que trabalham na rua com coleta de dados; e o usuário doméstico, afirma Gianfranco Coppola, gerente de Negócios da Área de Varejo da 3Com do Brasil.
Se alguém se dispusesse a fazer um gráfico, no qual uma curva representasse o incremento dos recursos das agendas eletrônicas, e uma outra, a queda de preços dos palmtops prevista para os próximos anos, veria que elas se encontrariam num ponto. Não muito longe daqui. Enquanto as agendas (sobretudo as que têm conexão com o micro) vão se sofisticando e ficando cada vez mais parecidas com os palmtops, os fabricantes prometem que os micrinhos terão, em breve, preços parecidos com o das agendas eletrônicas mais sofisticadas.
Tanto é assim que empresas como Sharp e Casio já nem trazem para o Brasil seus modelos de agendas mais poderosos, de 2Mb e 3Mb. O preço simplesmente não compensaria, uma vez que, com um pouco mais, o consumidor compra um palmtop.
A Sharp, por exemplo, tem um modelo de palmtop, o SE300, com 1Mb e conexão com o PC, com um preço sugerido de R$ 350,00. E a própria Sharp tem uma agenda de 64K, também com conexão com o computador, vendida ao preço médio de R$ 130,00. A Casio, por sua vez, tem uma agenda de 256K, que também se conecta ao micro, por R$ 198,00.
No mercado japonês, a fusão entre os dois produtos já começou, diz Luiz Felipe de Freitas, gerente de produto da Sharp. A tendência é que todas as agendas eletrônicas venham a ter conexão com os computadores, e tenham também capacidade expandida, uma vez que o preço da memória vem caindo.
Para Ellen Cristina Taguchi, gerente nacional da divisão de cálculo da Casio, apesar de os dois produtos estarem ficando cada vez mais parecidos lá fora, os consumidores de agendas ainda são bem diferentes dos de palmtops aqui no Brasil. Segundo Ellen, o usuário de agendas é o tipo de profissional que não trabalha muito fora do escritório. Por isso, ele tem sempre o micro por perto, não precisando, portanto, de palmtops ou handhelds. Para ela, a grande vantagem dos handhelds e de alguns palmtops é a carinha do Windows, com a qual o consumidor está mais acostumado. Nessas máquinas, o sistema operacional é o Windows CE, versão mais simples das janelas. Para Rodrigo Coelho, coordenador de produto da TCE, porém, agendas ainda são uma opção de produto com muitos recursos, a preço cada vez melhor.
Com lançamento focado no mercado corporativo, o Aero 2130 vem surpreendendo os gerentes de produto da Compaq. Nos EUA, principalmente, onde chegou em março, o produto está conquistando sobretudo o mercado doméstico, e foi lançado em duas versões: 8Mb e 16Mb de memória RAM. Como lá a diferença de preço entre os dois modelos é pequena, o mercado está dando preferência, claro, ao de 16Mb. Por esta razão, a Compaq do Brasil preferiu trazer apenas a versão mais parruda.
Aqui, no entanto, mesmo que o usuário caia de amores pelo Aero, a Compaq não vai conseguir muita coisa entre os consumidores domésticos. Com tela colorida e o pacote básico de recursos dos outros handhelds disponíveis no mercado, o Aero chega ao País com preço sugerido de R$ 1.465,00.
Com funções muito semelhantes, a maioria dos assistentes pessoais tem agendas de compromissos e telefones, bloco de notas, lista de tarefas, calculadora, recursos para recebimento de e-mails e versões mais econômicas de aplicativos, como editores de texto e planilhas. As diferenças se concentram nos seguintes quesitos: quantidade de memória, resolução da tela, peso e sistema operacional. O Aero, o Pocket, da Microtec, e o Cassiopeia, da Casio, usam Windows CE. Os da 3Com usam o Palm OS, sistema desenvolvido pela empresa.
A política da 3Com é oferecer, com o Palm OS, uma arquitetura aberta. Isto significa que o cliente pode desenvolver com mais facilidade aplicativos mais adequados para a sua atividade.
No Brasil, a categoria de assistentes pessoais inclui os handhelds e os palmtops. E ainda há muita divergência na hora de definir estes produtos. Para Coppola, a explicação é simples: Handheld não tem teclado.
O curioso é que o produto da 3Com, que não tem teclado, é chamado de Palm Pilot, e o fabricante o classifica como um handheld. Silvio Pereira, assistente comercial da Casio, concorda com Coppola. Para ele, o Cassiopeia E-10, assistente pessoal da Casio que não tem teclado, é um handheld, pois o palmtop tem que ter teclado. Mas a família Jornada, da HP, que tem teclado, é caracterizada pela HP como... handheld!. Nos anúncios divulgados nos EUA, o Nino 300, organizador pessoal da Philips sem teclado, é apresentado como um Palm PC e vendido nas versões 4Mb e 8Mb. De acordo com a Philips do Brasil, a sua vinda para o País ainda não foi decidida.
Nos EUA e no Japão, a família Cassiopeia vem crescendo desde o final do ano passado. Já foram lançados o E-11, o E-100 e o E-55. Mas aqui não há previsão para conferir estas novidades.
Temos estoque grande do E-10; não há prazos para trazer novos modelos, explica Pereira. Já a família Jornada, da HP - desenvolvida para quem quer conforto na digitação, mas precisa de um equipamento mais leve do que um notebook - terá um novo integrante no Brasil em agosto. Lançado em março, o HP Jornada 820e tem teclado, calculadora, agenda e Windows CE, com Word e Excel. Paulo Rona, gerente da América Latina da unidade de handheld da HP, diz que o 820e foi desenvolvido para quem precisa da versatilidade de um PC num portátil.
O próximo lançamento no mercado nacional é o HP Jornada 680. Também com teclado, foi lançado nos EUA no mês passado com preço em torno de US$ 900. Ainda não há preço para o Brasil. No tamanho do Jornada 620, porém com mais recursos, o 680 também tem teclado.





