Palm m100, uma máquina camaleônica
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domingo, 18 de fevereiro de 2001
Agência OGlobo 
Dois trens estão parados numa estação. Vão em direções opostas. De repente, a linda moça que está num deles olha pela janela e vê, na janela do outro, o seu par ideal. Olhares se cruzam, a química é instantânea... mas os trens se põem em movimento! E agora?! Como farão os dois para se rever em tão vasto mundo?!
Felizmente, estamos num comercial do Palm Pilot, e não num filme de David Lean. Tanto ele quanto ela têm Palm Pilots; e, antes de afastá-los definitivamente, o destino, generoso, lhes dá a fração de segundo necessária para um beam.
Assim, apontando os aparelhinhos pelas respectivas janelas, nossos charmosos desconhecidos conseguem informar um ao outro nome e número de telefone. Daí a imaginá-los sacando dos celulares e sendo felizes para sempre é um pulo e, claro, um outro comercial, quem sabe da Nokia? Fica a sugestão.
Nunca houve comercial tão romântico no mundo da tecnologia. E nunca houve, provavelmente, comercial tão influente do ponto de vista de uso da tecnologia: de um momento para outro, o beam (ou seja, a troca de dados através do infravermelho das maquininhas), prática antes restrita ao universo nerd, virou febre entre os americanos.
E, podem apostar, vai virar febre aqui também. Primeiro, porque é muito prático e divertido, e tem sempre aquele quê de mágica que faz com que, junto com o beam, a gente troque risinhos idiotas. Depois, porque esses micrinhos de mão, que até outro dia eram artigos de luxo de tão caros, começam a se tornar acessíveis, num fenômeno semelhante ao que ocorreu com os celulares. Em suma: agora que conquistaram as empresas, os palms vêm que vêm atrás do usuário final, isto é de você, de mim e, salve-se quem puder!, dos jovens e adolescentes da família.
Para isso vale tudo, de uma nova filosofia de marketing em que os indefectíveis executivos vêm sendo substituídos nos anúncios por crianças e mulheres sorridentes, a alianças da pesada, como a que vai unir o novíssimo m100 com o Globo.com Palm, primeiro produto do canal Globo Mobile. Nessa dobradinha, quem comprar o m100 leva a máquina configurada para atualização com o conteúdo do portal das Organizações Globo.
Mas nada impede que o usuário sequioso por informação vá a outros sites Palm-compatíveis, como o AvantGo, que tem jornais e revistas do mundo inteiro, ou o SeliG, irmão menorzinho do iG, e carregue o seu handheld com todas as notícias e frescurinhas do momento.
Uma alma robusta em casca camaleônica O m100, grande arma da Palm para a conquista do mercado pessoal, digamos assim, segue, por fora, a fórmula de sucesso da Nokia que conquistou onze entre dez adolescentes: tem capinhas coloridas baratas, facílimas de mudar, que se adaptam ao estado de espírito e às roupas do usuário.
Por dentro, porém, é um handheld poderoso, de 2Mb, rodando o Palm OS 3.5, e igualmente compatível com as plataformas Mac e Windows. Ele vem com todos os aplicativos habituais (catálogo de endereços, agenda, relógio, lista de tarefas, bloco de anotações e calculadora) e cabo para conexão com PCs; mas há dezenas de acessórios disponíveis, das tais capinhas coloridas a teclado dobrável, passando por estojos de todos os tipos, canetinhas multifunção e por aí vai.
Uma das características mais interessantes do m100 é a capacidade de acoplagem a periféricos, seguindo a moda lançada pelo concorrente Visor, da Handspring. Ele tem um slot na parte de baixo ao qual se podem espetar mais memória, modems, máquina digital (Kodak PalmPix) e, em breve, até um player de MP3 com 64Mb, um bom doublé de disco rígido adicional.
O m100 que, ao contrário do resto da família, auto-recarregável, é alimentado por duas pilhas palito comuns chega às lojas ainda este mês, ao preço aproximado de R$ 550. Ainda não é barato, mas entre uma promoção aqui e um desconto ali, é possível que se aproxime um pouco mais do preço cobrado nos EUA, hoje em torno dos US$ 140.


