País tem fôlego para e-commerce
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de fevereiro de 2001
Luciano Augusto De Londrina 
A empresa de consultoria Ernst & Young, filial Brasil, aponta que o País está muito bem inserido no contexto global do comércio eletrônico varejista, ou business to consumer (B2C).
O responsável pela pesquisa no Brasil, Sérgio Ricardo Romani, diz que algumas características explicam esse otimismo. O volume de compras, embora pareça pequeno (uma vez que apenas 1% dos lares têm Internet), pode ser considerado compatível com os de países mais desenvolvidos, a maturidade tanto do internauta nacional quanto do empresário é grande e os sites estão buscando dispositivos de segurança melhores.
Romani, entretanto, aponta que para atingir as expectativas de crescimento, os varejistas eletrônicos precisam ser resistentes. Segundo ele, os desafios são monumentais e incluem uma infra-estrutura e indústria de telecomunicações fracas, falta de regulamentação governamental e uma significativa barreira de idioma. Um dos maiores problemas enfrentados pelas empresas varejistas da Web é a questão do frete, complicado pela extensão territorial do País.Falta desenvolver esta logística, ressalta.
De acordo com o consultor, há um consenso de que a taxa de crescimento nos próximos cinco anos será exponencial. Em parte por causa do acesso gratuito à Internet, a partir de 1999, que criou a conscientização sobre a Web entre os brasileiros. Mas os varejistas eletrônicos vão ter que suar a camisa para cativar o consumidor, uma vez que essa conscientização não está se transferindo para as compras online. Precisamos fazer com que os que já estão comprando via Internet comprem mais. Outro problema é o cultural, uma vez que o consumidor está experimentando algo novo, analisa Romani. A nova Lei da Informática deve ajudar nesta popularização, uma vez que a expectativa é que haja queda no preço dos equipamentos.
Outro ponto é que, atualmente, os consumidores online são das classes A e B, predominantemente. O desafio é fazer com que as classes C e D também comecem a comprar pela Internet. As empresas direcionadas às classes C e D já estão indo para a Rede, avisa.
O estudo destaca também o papel do governo no comércio eletrônico, que tem sido limitado até o momento. O controle normativo é pequeno, os softwares piratas são comuns, os hackers causam estragos enormes e há pouco suporte para o e-commerce.
Apesar dessas barreiras para o comércio eletrônico B2C, muitos varejistas tradicionais brasileiros estão lançando seus sites na Web. A Ernst & Young cita o exemplo da Livraria Siciliano, a maior do País, que se aproximou da Internet e hoje conta com uma seleção de produtos variadas, que inclui software, computador, DVDs, vídeos VHS e CDs, além, é claro, dos livros.
A pesquisa da Ernst & Yuong foi realizada entre os meses de outubro e novembro e utilizou o cadastro de internautas da IDC Consulting, uma das maiores empresas mundiais do gênero.


