Uma espécie de Linux tropical está sendo gerada nos laboratórios do Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (NCE-UFRJ). Parte do projeto Plurix, que começou a ser desenvolvido no NCE em 1982, o sistema operacional Tropix, um Unix para PCs, está sendo elaborado com tecnologia 100% nacional.
Adotado pelo projeto DOSVOX - sistema desenvolvido no NCE que possibilita o uso do computador por pessoas cegas - e como ferramenta de ensino na disciplina Sistemas Operacionais do curso de graduação em Informática da UFRJ, o Tropix já pode ser usado por qualquer pessoa que tenha um PC. Porém, ainda há muito a fazer. A meta do NCE é disseminar o uso do software, um sistema operacional de 32 bits, multiusuário e multitarefa, de filosofia Unix. O núcleo quer atrair colaboradores para deixar o sistema redondinho e tão desejável quanto o Linux, uma coqueluche entre os internautas.
Os atuais responsáveis pelo Tropix, os analistas de sistemas Pedro Salenbauch e Oswaldo Vernet, dizem que, se o sistema tivesse contado com a mesma divulgação do Linux, provavelmente já teria superado seu concorrente em funcionalidades. Mas, como a pesquisa no Brasil convive com a falta de verbas, o Tropix demorou mais para atingir sua versão standard. Agora, os pais do sistema querem promover sua divulgação.
O Tropix já está disponível na Internet. Para baixá-lo, os interessados devem apontar o browser para o endereço: http://tropix.nce.ufrj.br. O sistema completo cabe em três disquetes com todos os manuais, escritos em português.
Vernet e Salenbauch dizem que o Tropix também está à disposição de empresas. Mas, neste caso, eles impõem uma condição: o uso deve continuar gratuito. Os pais do sistema explicam que é preciso ter usuários para que seja melhorado. Eles querem criar uma lista de discussões e enumerar as tarefas que ainda precisam ser realizadas. Agora, o importante para os pesquisadores é atrair candidatos para testar o Tropix e dar sugestões.
Hoje, o sistema conta com comandos básicos do Unix e recursos próprios. Por enquanto, só está disponível a versão em modo texto. A parte gráfica, que começou a ser desenvolvida há um ano e é baseada em X-Windows, só estará liberada em março. O Tropix conta ainda com um sistema de desenvolvimento para linguagem ANSI ‘‘C’’.
Quem baixar o sistema vai conferir que ele tem suporte para Internet com protocolos TCP/IP, SLIP, PPP e clientes servidores Telnet, FTP, POP3 e mail. Isto significa que, mesmo com o sistema em modo texto, o usuário tem a opção de pôr um servidor de www no ar, funcionalidade que não existe nas versões 95 e 98 do Windows. Mas ainda falta ao Tropix um browser para navegação nas ondas da web.
‘‘O transporte do Netscape para o Tropix está entre as sugestões de projetos para colaboradores’’, conta Salenbauch.
O sistema é baseado no código de caracteres ISO-8859-1 (Latim-1, que também é usado pelo Windows95), o que torna possível a acentuação de palavras que pertencem às línguas originadas do Latim. Isso pode ser feito nos dois modos, texto e gráfico.

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