Ciência Hoje
Já famoso por sua capacidade de relaxar a musculatura dos vasos sanguíneos e tema do Prêmio Nobel de Medicina de 1998, o óxido nítrico pode estar relacionado também às crises de epilepsia. Estudos realizados na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP) revelaram uma perda relativa de neurônios que sintetizaram o óxido nítrico em pacientes portadores de epilepsia do lobo temporal. Além disso, observou-se a reorganização dos terminais neuronais e o aumento de ramificações nas células nervosas remanescentes.
O óxido nítrico é um gás presente nas células da maioria dos seres vivos. No caso do sistema nervoso, o óxido nítrico é produzido por certos neurônios e pode funcionar como mensageiro neuronal.
Em excesso, no entanto, o gás é tóxico e pode destruir as células nervosas. Segundo João Pereira Leite, professor do Setor de Neurologia e coordenador da pesquisa na USP de Ribeirão Preto, ‘‘até o momento não havia comprovação de alterações da neurotransmissão por óxido nítrico em pacientes epiléticos’’.
A maior concentração de óxido nítrico - decorrente do aumento dos terminais dos neurônios produtores desse gás - pode estar relacionada à ocorrência de crises. ‘‘Agindo como um vasodilatador, o óxido pode explicar também o aumento do fluxo sanguíneo observado em certas regiões do cérebro durante as crises epiléticas’’ - informou Pereira Leite.

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