Os perigos da internet
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de fevereiro de 2016
Mie Francine Chiba Reportagem Local 
Cerca de 44 milhões de pessoas foram vítimas do cibercrime no Brasil em 2015, segundo estimativa da Norton, empresa de antivírus. Dia após dia, os usuários de internet continuam sofrendo os impactos de crimes virtuais cometidos por meio de armadilhas que os criminosos espalham pela rede.
No próximo dia 9 será realizada a campanha global do Dia da Internet Segura. A data tem o objetivo de alertar a população para os perigos da internet. Para o especialista em segurança da Norton, André Carrareto, são vários os motivos para as pessoas continuarem vulneráveis a ataques de cribercriminosos. Um deles é o uso de proteções tecnológicas ultrapassadas e de sistemas operacionais piratas. "Em linhas gerais, a proteção tecnológica não é a mais avançada. A gente vê muita gente usando computadores com sistemas operacionais não legítimos, que não permitem a atualização de segurança. Tem também a cultura de uso de antivírus gratuito, que funciona até um certo limite."
Do ponto de vista comportamental, muitos usuários de internet não avaliam, quando estão diante de um e-mail de spam, por exemplo, que aquilo pode se tratar de uma "isca" para o roubo de dados pessoais e financeiros. "É sempre bom desconfiar se a oferta é muito boa ou se a ameaça é muito forte (algo como 'faça um depósito até amanhã, caso contrário seu prêmio irá expirar')." Além disso, deve-se avaliar se aquele e-mail realmente era esperado, observa Carrareto. "As pessoas não se perguntam se preencheram cadastro em uma loja ou estão participando da promoção de um banco para receberem aquele e-mail, e por isso acabam caindo em golpes."
A falta de proteção nos computadores permite que os usuários sofram ataques como o do ransonware, que segundo Carrareto, deverá crescer ainda mais neste ano. Trata-se de uma ameaça que, quando "injetado" no computador, criptografa os dados do usuário e pede um resgate em troca. "Não é uma cultura das pessoas fazerem backup de dados. É importante ficar atento e ter uma boa solução de segurança." O ransonware pode chegar por meio de e-mails de spam ou de malwaretisement, anúncios presentes em páginas da internet que infectam o computador do usuário quando clicados.
Criminosos profissionais
Também contribui para o fato de mais e mais pessoas serem vítimas de cibercrimes a "profissionalização" dos cibercriminosos, que evoluíram muito suas táticas de ataque, impulsionados pelo "mercado negro" de dados. A opinião é de André Munhoz, gerente de Marketing e Comunicação da Avast, empresa de segurança para PCs e dispositivos móveis. "Os ataques de cibercriminosos se profissionalizaram muito nos últimos anos. Hoje em dia existe um mercado negro de dados pessoais, de cartão de crédito."
Uma das táticas utilizadas é o roubo de DNS (Domain Name System), que é uma espécie de identificação de sites da internet. Por meio dessa estratégia, o cibercriminoso é capaz de redirecionar o acesso ao site de um banco, por exemplo, a um site falso arquitetado para roubar dados do usuário. "É muito fácil as pessoas caírem nesse tipo de ataque por causa da quantidade de redes Wi-Fi públicas abertas sem qualquer tipo de criptografia, senha", diz Munhoz. De acordo com ele, os criminosos invadem redes Wi-Fi abertas para redirecionar o acesso dos seus usuários para os sites falsos.
Outra forma de ataque ainda muito recorrente é através do spam, aqueles e-mails que chegam sorrateiramente à caixa de entrada dos usuários com diversos tipos de mensagens: seja pedindo para atualizar a senha de acesso ao banco com urgência, seja alertando o usuário de que ele foi sorteado e que para resgatar o prêmio precisa realizar uma série de procedimentos. Acontece que esses e-mails podem esconder malwares, códigos maliciosos que podem ser perigosos de diversas formas, inclusive sequestrando dados pessoais e financeiros do usuário. "Cada vez mais os hackers estão criando armadilhas diferentes, confundindo o usuário."


