Os museus têm interesse especial
São muitos os paleontólogos e museus estrangeiros que se interessam pelos fósseis do Araripe. O Museu Americano de História Natural, em Nova Iorque, por exemplo, detém uma enorme coleção. As peças dos museus frequentemente são emprestadas a cientistas de vários países para pesquisa. O geólogo inglês David Martill revelou estar trabalhando com cinco incríveis fósseis do Araripe emprestados por um museu de Tokyo. Em seu país, assim como nos EUA e em alguns estados alemães, o comércio de fósseis é uma atividade legal.
Recentemente, a mídia mundial informou a descoberta de um novo gênero de tartaruga marinha do período Cretáceo. O fóssil foi estudado por Ren Hyraiama, da Universidade de Teikyo Heisei, no Japão. Os ossos da Santanachelys gaffneyi, nome escolhido por Hyraiama, são provenientes do Araripe. Em artigo publicado na revista Nature (16/4/1998), o japonês informa a origem do fóssil mas não explica como o exemplar chegou à sua universidade. Mas algumas vezes os estrangeiros compram gato por lebre. Em 1996, Martill descobriu, com a ajuda do computador, várias adulterações em um esqueleto de dinossauro brasileiro. A peça lhe fora emprestada para pesquisa pelo Museu de Ciências Naturais de Stuttgart, Alemanha. O nome dado ao animal refletiu a irritação do paleontólogo: Irritator chalengeri.
Um levantamento constatou que 56,7% dos holótipos (fósseis que servem de modelo para uma nova espécie) de vertebrados encontrados na Chapada estão em instituições estrangeiras; 64,5% desses fósseis foram descritos por estrangeiros e 85,4% não foram coletados pelos paleontólogos que os descreveram. A coleta por amadores gera uma perda de informações estratigráficas que dificulta o estudo paleoecológico da região. O paleontólogo Alexander Kellner, um dos principais especialistas em pterossauros, afirma que muitos desses fósseis saíram daqui nos tempos do Império, quando não havia leis restritivas. No entanto, o presidente da S.B.P., contesta a informação: o grande número de holótipos no exterior reflete o comércio ilegal a partir dos anos 80 e é resultado da conivência entre pesquisadores brasileiros e cientistas de instituições estrangeiras.F.P.





