Os discípulos de Lund
ReproduçãoDa esquerda para a direita Josaphat Penna, Anibal Mattos, Harold Walter e Derek Walter em trabalho de campo nos anos 40A Coleção H.V. Walter, como ficou conhecida, é fruto de década de coletas e de escavações feitas por membros da Academia de Ciências de Minas Gerais, fundada em Belo Horizonte em 1933 (leia nesta página o texto ‘‘Uma ONG dos anos 30’’). Liderada por Harold Victor Walter (1897 – 1976), que trocou Londres pela capital mineira no início dos anos 20, Anibal Mattos (1886 – 1969) e Arnaldo Cathoud (1894 – 1961), a Academia surgiu às vésperas das comemorações do centenário do início dos trabalhos de Peter Lund em Minas Gerais. Em 1835, o paleomtólogo faria suas primeiras escavações na Gruta de Maquiné, no município de Cordisburgo.
Segundo Walter Neves, os fragmentos dos crânios da coleção estavam muito mineralizados. Como o material orgânico original foi totalmente substituído por material inorgânico, sem ter restado qualquer traço de colágeno, o laboratório norte-americano Beta Analytic, responsável pela datação de dois crânios, não pôde calcular sua idade com precisão. Os especialistas estimam que os ossos examinados tenham no mínimo sete mil anos.
‘‘Mas a coleção pode ter crânios até mais antigos que os famosos esqueletos ‘‘Luzia’’ supõe o bioantropólogo, que tenta obter recursos para a datação de fragmentos de outros crânios da coleção. Luzia é o mais antigo vestígio humano das Américas, com cerca de 11,5 mil anos, coletado por arqueólogos da Missão Francesa em Lapa Vermelha (MG), em 1975.
Agora em condições de ser estudada por especialisras, a coleção de esqueletos humanos pré-históricos de Minas Gerais deverá contribuir significativamente para novas pesquisas referentes à origem do homem americano. ‘‘Esse é um tema palpitante, que desperta grande interesse na comunidade antropológica nacional e internacional’’, avalia a diretora do Museu de História Natural da UFMG, Ana Maria Dantas Barros.
A recuperação dos remanescentes ósseos humanos da coleção H.V. Walter é o primeiro passo no sentido de reabilitar todo o acervo, que chegou em condições muitos precárias à UFMG. O material de interesse paleontológico e os artefatos arqueológicos, como pontas de flecha, machados, bigornas e instrumentos de osso e chifre, continuam guardados no museu, à espera de tratamento adequado no futuro. ‘‘Estamos abertos a novas parcerias para recuperar o restante da coleção’’, diz a diretora do museu da UFMG.

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