Os amálgamas com mercúrio podem prejudicar a saúde
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 30 de novembro de 1998
Celine Loubette France Presse 
Este ano, a criação da primeira associação nacional de vítimas das massas de obturação com mercúrio, parte civil de um processo judicial por envenenamento, reativou o debate acerca da toxicidade deste produto, que continua sendo muito utilizado pelos dentistas em todo o mundo.
A associação francesa Não ao mercúrio dental foi criada para denunciar os riscos das massas de obturação, ligas metálicas que não contêm chumbo e sim mercúrio, zinco, estanho e cobre.
Segundo a presidente da associação, Brigitte Chardon, já tramitam na justiça várias ações por envenenamento com massas de obturação.
A associação, que estuda centenas de casos, quer sobretudo informar aos 30 ou 40 milhões de franceses afetados por problemas de saúde causados pelo mercúrio colocado em seus dentes, reunir as vítimas e apoiar os pacientes que entrarem com ações.
As primeiras vítimas dos amálgamas dentais com mercúrio são os próprios dentistas, escreveu em um artigo publicado na revista Marianne o jornalista Roger Lenglet, autor do livro O caso do amianto.
A publicação citou vários estudos, entre eles um realizado pela Universidade de Tubingen (Alemanha), em 1996, junto a 20 mil pessoas. O estudo detectou na saliva de 89% dos portadores de obturações com mercúrio taxas do metal cinco vezes superiores às autorizadas na água potável (1 micrograma por litro).
Os trabalhos que mostraram que os amálgamas com mercúrio são perigosos para a saúde não são cientificamente sérios, rebateu, por sua vez, Robert Regard, membro da Ordem Nacional de cirurgiões dentistas.
Todos os protocolos realizados com rigor demonstraram, ao contrário, que as obturações (com mercúrio) na boca não são perigosas, continuou. É verdade que o mercúrio chega ao organismo através da saliva, mas em quantidades tão pequenas como as que encontramos, por exemplo, quando comemos peixe, diz Regard.
O secretário geral da Agência Dental Francesa (ADF), Germain Zeilig, decano da faculdade de cirurgia dental da Universidade Paris V concordou com Regard: A comunidade científica jamais pôs em evidência qualquer consequência toxicológica dos amálgamas com mercúrio.
A ADF e a Ordem dos dentistas insistiram no fato de que nenhum país do mundo proibiu até agora totalmente as massas de obturação com mercúrio, mesmo quando alguns, como o Japão, não o practicam, enquanto outros, como o Canadá, a Suécia, Alemanha ou Finlândia, não recomendam.
Estes países obedecem a razões ecológicas e não toxicológicas, pois a preparação dos amálgamas pode provocar desperdícios de mercúrio danosos para o meio ambiente, destacou Zeilig.
De qualquer forma, as amálgamas dentais estão vivendo seus últimos dias. Os produtos de substituição, que apresentan atualmente vários defeitos, não param de melhorar e acabaram se impondo, concluiu Zeilig.


