A instituição financeira tradicional que não quiser ficar para trás no atual cenário das novas tecnologias vai precisar passar por uma transformação. Não basta migrar os serviços oferecidos de forma física para as plataformas digitais, o que já acontece no Brasil e no mundo, mas aperfeiçoá-los e entender o que o cliente aficionado em novas tecnologias quer. Para dar conta do recado, os bancos buscam cada vez mais suporte em empresas globais de Tecnologia da Informação (TI). O próprio Original, anunciado como o primeiro banco 100% digital do País, trabalha para ter um eficiente big data, conjunto de informações e dados criptografados, e utiliza, em parceria, tecnologias e softwares inovadores de empresas como a Technisys e a OpenLink.
A instituição promete entrar em funcionamento até o final deste ano. "Se por um lado temos bancos surgindo totalmente digitais, por outro vemos instituições tradicionais precisando repensar todos os seus modelos de negócio para não perder clientes para empresas mais modernas, que, em muitas vezes, nem bancos são", destacou o vice-presidente e managing partner da IBM, Alessandro Rosa, durante palestra sobre bancos digitais no Ciab Febraban 2015.
Na avaliação dele, as instituições estão começando a perceber que a tecnologia possibilita um consumidor "mais poderoso", justamente por conta do surgimento de novos modelos de negócio. "O mobile banking, por exemplo, culmina na aprovação de muito mais crédito. O usuário não precisa mais ir até uma agência para realizar operações. Agora, as transações estão a um clique de distância", destacou.
De acordo com Rosa, a revolução tecnológica faz o usuário encontrar no mercado desde instituições 100% digitais, relativamente novas, a bancos que lançaram versões virtuais e, também, compraram empresas digitais menores para o firmamento de "alianças estratégicas". "Temos o exemplo do BBVA, que investiu US$ 117 milhões na compra do Simple (banco totalmente digital) em 2014", citou.
A digitalização dos serviços e operações por parte das instituições financeiras tradicionais também pede o intermédio de empresas de softwares de gestão. Quando procuradas e contratadas pelos bancos, as companhias ficam responsáveis por avaliar o perfil dos usuários e definir as diretrizes mais apropriadas para cada um deles.
De acordo com o diretor de Vendas da SAP Brasil, Paulo Zirnberger de Castro, muitas instituições estão preocupadas por não saberem se vão resistir à avalanche tecnológica prevista para o decorrer dos próximos 20 anos. "É uma revolução radical e nem todos estão preparados para isso", destacou.
Conforme o diretor, a transformação passa, diretamente, pela digitalização do consumidor, "que está cada vez mais conectado e onipresente". "As interações acontecem em segundos. Precisamos captar o interesse desse cliente e gerar um produto e/ou serviço que ele queira contratar", frisou.
O problema, conforme ele, é que, em muitas vezes, as soluções apresentadas são barradas pelas regulamentações, ainda não revistas para acompanhar as novas tecnologias. "Que a indústria vai se transformar, isso é um fato irrefutável, mas vemos as coisas acontecendo de modo mais lento do que gostaríamos", afirmou. Na avaliação de Castro, a transformação precisa acontecer fora do mundo das regulamentações. "Ela deve surgir de forma inovadora e dentro da criatividade. A empresa que conseguir inovar e manter os clientes fieis vai sobreviver no mercado".

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