Imagem ilustrativa da imagem Open banking é testado por bancos e startups
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São Paulo - Uma nova norma que entrou em vigor na Europa no mês passado deve transformar o relacionamento atual entre investidores e os agentes do mercado financeiro por lá, com potencial de também movimentar o setor aqui no Brasil. Chamado de open banking, o novo modelo, na prática, permite que dados bancários de clientes sejam compartilhados com terceiros. Com isso, os bancos perdem a exclusividade de informações como saldo em conta, empréstimos e padrões de gastos.
O modelo se assemelha ao que já fazem algumas startups de tecnologia voltadas para o segmento financeiro, como o Guia Bolso, que se conecta à conta bancária do usuário e classifica os gastos por categoria. No entanto, com o open banking, o cliente não precisa compartilhar sua senha bancária - necessária para o caso do Guia Bolso. O banco teria de programar tomadas virtuais para que as fintechs, corretoras e empresas de empréstimo bancário possam "plugar" diretamente seus aplicativos. E isso dentro de um sistema de governança e com regras rigorosas para resguardar a segurança das operações.
Apesar de não contar com uma lei específica como na Europa, aqui no Brasil bancos como Neon e Banco do Brasil já testam soluções de open banking e, em breve, devem lançar para os investidores novos produtos. Na outra ponta, startups de tecnologia dizem que já estão preparadas para esse novo mercado.
O próprio Guia Bolso afirma que, se a regra pegar por aqui, resolverá uma das dificuldades da plataforma, que é a visualização limitada dos dados dos clientes. Cada banco libera um pedaço do extrato do cliente, mas, com o open banking, o acesso seria maior e uniformizado entre as instituições. Thiago Alvarez, presidente do Guia Bolso, afirma que mais empresas de tecnologia poderiam ter acesso a essas informações, de uma forma mais rápida e mais barata. "Isso geraria mais competição, o que seria benéfico para os usuários, que teriam mais alternativas e até taxas mais baixas. Hoje em dia, dado é ouro, seja para você tomar crédito, escolher o melhor investimento ou melhorar a gestão financeira", diz.
Entre as instituições financeiras, o Banco do Brasil foi pioneiro e lançou no ano passado uma parceria com a ContaAzul - plataforma de gestão da movimentação de contas bancárias para micro e pequenas empresas - que dá aos clientes o acesso ao aplicativo sem a necessidade de colocar a senha bancária. Atualmente, o sistema tem 4 mil usuários. "Estamos ampliando a base de forma gradativa", afirma o diretor de negócios digitais do Banco do Brasil, Marco Mastroeni.

Fontes do mercado financeiro ouvidas pela reportagem afirmam que os principais bancos do País trabalham em estágio avançado com soluções de open banking. Um especialista, que prefere não se identificar, diz que a decisão de abrir ou não a tecnologia depende mais das estratégias de negócio do que de impedimentos técnicos do setor. Procurados, Bradesco, Santander e Itaú não comentaram.

Cenários
Segundo o especialista Paschoal Baptista, sócio da Deloitte, a ideia por trás da abertura do open banking é que os dados bancários pertencem aos donos da conta bancária, e não aos bancos. "O open banking permite que os nossos dados possam ser compartilhados com outras companhias. A ideia é ampliar o acesso a produtos financeiros a preços melhores."

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