Chamado de Oculus Rift, o Head-Mounted Display (HMD) da Oculus VR, empresa da Califórnia (EUA), já foi adquirido por empresas desenvolvedoras de software no Brasil. Uma delas é a Oniria, de Londrina. O equipamento ilustra bem o que muitos gamers sempre sonharam ter: um headset que, quando vestido, proporciona sensação de imersão total graças à tecnologia estereoscópica, semelhante à dos óculos 3D. Dentro do óculos, há uma tela cuja imagem é dividida em duas e que, unidas pela visão do usuário em uma, colocam a impressão de profundidade. Por enquanto, o equipamento está disponível apenas para desenvolvedores.
A reportagem teve a oportunidade de experimentar o óculos e interagir com dois ambientes: uma montanha-russa e o fundo do mar. Por meio de sensores, o headset detecta o movimento da cabeça do usuário, que tem a liberdade de apreciar a paisagem virtual em um ângulo de 360°. Devido à imersão causada pelos sensores de movimento aliados à tecnologia 3D, a sensação é mesmo de estar no ambiente real. No caso do brinquedo de parque de diversões, dá até para sentir frio na barriga nas descidas e uma leve tontura ao final. Para quem tem medo de altura ou de tubarões, a experiência pode ser um tanto quanto aterrorizante. Ou terapêutica.
Esta é justamente a ideia da Oniria, que vai utilizar o equipamento para aprimorar seu simulador para tratamento de fobias, contemplado pelo Edital Senai Sesi de Inovação. A vantagem do uso do Oculus Rift no tratamento, além da imersão maior, está na segurança e o maior controle ao submeter o paciente à situação temida.
"Quanto maior a sensação (de estar no ambiente), maior a probabilidade de gerar ansiedade. Se a pessoa é colocada em um ambiente e não consegue sentir nada, não conseguimos dessensibilizá-la. É importante que ela sinta medo", afirma Verônica Bender Haydu, professora do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que auxilia o projeto. Embora enfrentar a situação real seja indispensável ao tratamento, a imersão em um ambiente virtual pode ser aplicada no início e de forma gradativa, finaliza a professora.
A Oniria também deve receber, em breve, uma esteira para uso com o Oculus Rift, que permite o usuário "caminhar" pelo cenário virtual. Para o tratamento de fobias, um equipamento medidor de condutividade elétrica da pele também vai ajudar a detectar as sensações dos pacientes durante a experiência virtual. O HMD pode ainda ser utilizado em simuladores de treinamento para uso de máquinas. "Ao usar um software simulador como ferramenta para treinamento, a possibilidade de maior imersão é muito desejável", diz Nicholas Bender Haydu, um dos sócios da Oniria.

Arquitetura
A 8E7 Mídias Interativas, de São Paulo, visualizou no Oculus Rift a possibilidade de conferir mais imersão ao comprador de imóveis, que pode visitar um decorado sem precisar ir à obra. Em breve, a empresa também deve disponibilizar um jogo de terror para PC na plataforma "Share", da própria Oculus VR, onde os desenvolvedores disponibilizam games e demos para o Oculus Rift. Ações de marketing também serão uma possibilidade, diz o sócio da 8E7, Paulo Santos Junior.

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