Oceanos, o berço da vida
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quinta-feira, 11 de dezembro de 1997
Agência Estado 
Reprodução
1998 será o Ano Internacional dos Oceanos e uma série de medidas será
anunciada para sua preservação
Os oceanos exercem uma influência decisiva na vida da Terra e, por isso mesmo, deveriam ser vistos como uma prioridade básica na questão da preservação ambiental. É o que afirma o professor Rolf Roland Weber, do Instituto Oceanográfico da USP, um dos cientistas que integram uma comissão internacional criada para conscientizar a população mundial sobre o problema, no próximo ano, em Portugal. Em 1998, será comemorado o Ano Internacional dos Oceanos, em Lisboa, e está prevista para fevereiro a divulgação de um documento propondo uma série de medidas, a nível mundial, para pelo menos amenizar o problema.
Segundo Weber, a base da vida é a incidência da energia solar sobre os oceanos, criando condições para a fotossíntese se realizar através do fitoplâncton, primeiro elo da cadeia alimentar. O cientista explica ainda que há uma certa preocupação por parte das autoridades ambientais com relação à pesca, tão sofisticada hoje em dia que não dá a mínima chance aos peixes de escapar. Com isso, ele lembra, que hoje existe um grande excesso de barcos pesqueiros em relação ao potencial de captura disponível. Da década de 50 até agora, a pesca cresceu exponencialmente e o limite prático está fixado em 80 milhões de toneladas/ano, no mundo, afirma Weber. Acima disso, a pesca caracteriza-se como predatória e está proibida.
Preservação - Na sua opinião, a melhor política está na preservação dos recursos hídricos, já que há apenas 2% de água doce no planeta. Quanto à água salgada, a saída está na maricultura, tida como uma das formas de preservação dos oceanos e que se constitui na produção controlada de espécies marítimas em zonas confinadas.
Dos recursos minerais extraídos da água do mar, o mais antigo é o sal. A humanidade tira o sal da água há milênios, através de um processo de evaporação. Mais profunda do que a extração do sal, no entanto, é a do petróleo, afirma Weber. A Petrobrás tem perfurado mais fundo, atingindo 1.200 metros. Há mais petróleo nas bacias sedimentares da região de Campos, no Estado do Rio, do que em todo o território nacional.
O cientista diz que a poluição de oceanos e mares é um problema localizado,
em escala global, porque a introdução de poluentes normalmente é pontual. O homem ainda não conseguiu poluir todos os oceanos, comenta Weber, para quem o grande problema da poluição são os esgotos industriais e domésticos que ficam restritos à zona costeira. O problema é que o homem usa a zona costeira e não utiliza os oceanos a não ser como meio de transporte ou para jogar detritos, lamenta o cientista.


