O que o bug do Pentium pode fazer
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de novembro de 1997
Agência Globo 
O travamento do processador acontece quando ele executa uma sequência de quatro bytes específicos. Aparentemente é um bug no microcódigo (programa interno) do chip. Vítimas? Num primeiro momento, provedores de serviços Internet que permitem a execução de programas CGI em suas máquinas. Como o bug acontece independentemente do nível do usuário e de segurança, o cliente pode enviar um programa contendo o código da morte e derrubar o provedor.
O perigo não mora apenas no CGI. Uma demissão hostil pode deixar um programa esquecido num diretório de execução do servidor principal e... travamentos misteriosos podem começar a acontecer às sextas-feiras e sábados à noite.
A Intel afirma em seu site que os Pentium podem sofrer atualizações de microcódigo. O que não está claro é como se dá esta atualização: se com o apoio de um hardware específico ou diretamente por software (como os modems Robotics fazem em suas Eprom, por exemplo). Se for demonstrado que a atualização é viável diretamente por software, a coisa pega, porque ficaria comprovado que existe um backdoor (porta dos fundos) para indicar uma entrada oculta no software. Por exemplo, um sistema que possua uma senha que ninguém saiba (somente o autor) e que seja independente da vontade do comprador do sistema. Ela, esta senha secreta, é o backdoor.
Em suma: a Intel poderia, sem você saber, alterar o programa básico de seu chip Pentium! Bastaria executar algum programa para este fim. Essa idéia de atualização por software abre um leque de possibilidades aterradoras. Que tal um vírus que destrua seu Pentium, exigindo recarga de microcódigo?
Mas não vamos nos assustar (ainda). A Intel está trabalhando para buscar a solução e, até onde se saiba, não há nenhum programa atualizador por aí que possa sofrer engenharia reversa, expondo os segredos de atualização do Pentium.
A Intel precisa se movimentar com bastante cuidado porque, caramba!, quem voaria num avião guiado a Pentium? Quem acreditaria nos sistemas de direcionamento de mísseis? Nos aparelhos médicos de precisão? Para nós, usuários, resta aguardar pelo fix, seja ele qual for.


