O novo mercado de tablets
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quinta-feira, 06 de novembro de 2014
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Agora que a "febre" dos tablets passou e diversas empresas já se estabeleceram no mercado, a tendência é que o mercado deste segmento sofra uma verdadeira "limpeza", colocando os produtos de baixa qualidade de lado e expondo aqueles com maior qualidade. Esta é a previsão de Pedro Hagge, analista de mercado da IDC Brasil, consultoria da área de Tecnologia da Informação e Telecomunicações.
Segundo Hagge, esta é uma fase caracterizada pela estabilização das vendas. Em julho, foram vendidos cerca de 612 mil tablets, com alta de 17% em relação ao mesmo período de 2013. Porém, em agosto, o segmento apresentou queda, com retração de 3% nas vendas se comparado com o mesmo mês do ano passado. "Não temos mais crescimento de três dígitos. O mercado já passou pelo nível de entrada de fabricantes, tende a ficar mais estável e com crescimento mais modesto", afirma.
De acordo com o analista da IDC, a categoria de produtos já não traz tanta rentabilidade às fabricantes, mas continua "interessante", e a previsão é que elas apostem em tablets com telas maiores, para competir com os smartphones de telas grandes que chegaram ao mercado.
Para o Natal, a procura dos produtos continuará sendo grande, com destaque para as linhas infantis. "Quando se pergunta para uma criança se elas preferem um celular ou um tablet, elas dizem tablet, pois não precisam ainda se comunicar com o mundo, mas querem mais entretenimento."
A expectativa, segundo a IDC, é que o ano encerre com a venda de 10 milhões destes dispositivos, aumento de 19% em relação a 2013. O crescimento é bem menor que o verificado em 2013. No ano passado, foram comercializados 8,4 milhões de tablets, com incremento de 157% sobre 2012.
Qualidade
"O que temos no radar (percepção do mercado) são características como a tela maior e a melhor qualidade dos produtos", diz Hagge, sobre as apostas das fabricantes nos novos modelos de aparelhos. Neste momento, estas empresas deverão começar uma "limpeza" do mercado trazendo produtos de maior qualidade, com mais processamento, resolução e memória, salienta o analista.
Para isso, diz Hagge, as fabricantes estão começando a fazer parcerias com outras fabricantes de componentes, como processadores e telas. "Estamos vivendo a era do quad core, e temos muito no radar, pelo menos para os smartphones, o octa core. Antes, os tablets eram single core, e a evolução é o dual core e o quad core."
Conforme números da IDC, os tablets de até R$ 500 correspondem a 77% das unidades vendidas no segundo trimestre do ano. Mas a perspectiva é que os consumidores passem a buscar dispositivos com mais qualidade, afirma Hagge. "O consumidor já não está tão disposto a comprar produtos que tenham qualidade muito baixa. Houve muitos problemas de devolução de produtos, e isto não é bom para ninguém."


