O mundo é um grande banco de dados
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
O Brasil ocupou em 2015 a 12ª posição em um ranking elaborado pela Open Knowledge, que tem o objetivo de estimular a disponibilização pelos países e seus governos de dados abertos para a população sobre diversos assuntos, como estatísticas nacionais, orçamento governamental, legislação, resultados de eleições, emissão de poluentes, qualidade da água e gastos do governo. Com este resultado, o País subiu 14 posições no ranking desde 2014, quando ocupava a 26ª posição.
"O conceito de dados abertos veio com o objetivo de viabilizar que qualquer informação que um cidadão queira procurar esteja disponível na internet sem que ele precise enfrentar burocracia", explica o professor Seiji Isotani, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (USP), que em parceria com outro professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) escreveu um livro sobre o dados abertos conectados.
Quando disponíveis, dados podem ser o elemento propulsor para a criação de diversos tipos de ferramentas. O professor Seiji cita, por exemplo, a possibilidade de criar o próprio plano de viagem a partir de dados geográficos abertos, disponíveis na internet. Mas não para por aí, pois os dados estão em todos os lugares. Informações sobre doenças podem ser conectadas a dados sobre as condições dos pacientes para estimar quais serão os custos com equipamentos e medicações. Informações mais abundantes sobre o clima podem ajudar as pessoas a saberem se precisam ou não levar um guarda-chuva quando saírem de casa em determinado bairro. Quantos já saíram de casa com um guarda-chuva porque a previsão dizia que iria chover na cidade, mas na região para onde estava se dirigindo não choveu? "Qualquer tipo de dado é um dado que pode ser utilizado em benefício da sociedade", diz Isotani.
Rede Solidária
Os dados também podem partir das próprias pessoas. "Quantas pessoas fazem caminhada atualmente? Esse não é um tipo de dado estruturado por empresas ou pelo Estado, mas é possível que o próprio cidadão o disponibilize", instiga o professor. E essa informação pode ser de grande importância para aferir a saúde das pessoas em determinadas localidades. Na gestão de desastres, um dos principais desafios é a coleta de dados em tempo real. "O sensor humano é muito importante nessas situações", comenta Isotani. Pois se uma pessoa notar que está chovendo e o rio perto de sua casa está começando a encher, em conjunto com outras informações relacionadas ao tempo, a administração pública pode prever uma possível enchente e tomar medidas para a segurança da população de maneira preventiva.
Mas para que todos esses dados disponíveis na internet possam ser aproveitados, é preciso que eles estejam disponíveis de maneira que o computador processe essas informações. Nesse contexto, o professor criou um ranking com cinco níveis para classificar os dados disponíveis na internet, que só recebem cinco estrelas se estiverem em formato aberto, utilizando uma linguagem que os torna facilmente acessíveis e processáveis por um computador de forma quase automática (a Resource Description Framework RDF) e relacionados a outras informações relevantes disponíveis na web.
O Brasil, nesse sentido, recebe apenas uma ou duas estrelas, o que significa, em geral, que o governo apenas torna seus dados disponíveis na rede mundial de computadores, diz Isotani. "Mas, pelo menos, os dados estão lá."



