O mercado negro do cibercrime
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Mie Francine Chiba <br> Reportagem Local 
A rede formada por hackers em todo o mundo deixou de atuar só por conta própria. O PandaLabs, laboratório anti-malware da Panda Security, catalogou recentemente dados que indicam que essa rede passou a comercializar - pela internet - uma extensa variedade de dados, serviços e ferramentas para o cibercrime, como dados bancários roubados, cartões de crédito clonados e até mesmo caixas eletrônicos falsos.
Segundo a PandaLabs, a rede possui mais de 50 lojas on-line para comercialização desses itens, a que se tem acesso depois de contato inicial através de fóruns e chats clandestinos.
O que mais impressiona são os preços a que essas ofertas ficam disponíveis. Dados de cartões bancários, por exemplo, são vendidos por apenas US$ 2 cada, porém sem garantia de saldo. Com garantias de saldo ou da disponibilidade do cartão de crédito, o preço sobe para US$ 80 para contas com poucos recursos, chegando a US$ 700 para ''contas maiores'', de US$ 82 mil.
A rede de hackers também disponibiliza serviços através desses sites, como clonagem de cartões, que vendem a preços a partir de US$ 180. Lavagem de dinheiro também é uma das ofertas sob pagamento de comissões que variam entre 10% e 40% da operação.
Compras on-line a partir de dados roubados são outro serviço oferecido aos compradores que não querem ser identificados pelo endereço de entrega. O cibercriminoso efetua a compra, recebe e encaminha para o cliente por custos entre US$ 30 e US$ 300.
Equipes também desenvolvem e publicam lojas on-line falsas para a obtenção de dados bancários e dinheiro pela técnica de ''rogueware'' (software falso). A equipe ainda consegue otimizar sua colocação nos sites de busca na internet. O pagamento pelo serviço varia de acordo com o tipo e dimensão do projeto.
O cibercriminoso pode ainda alugar botnets para envio de spam (com usuários infectados por um bot) por meio desses sites. O serviço pode custar entre US$ 15 e 20, dependendo do número de computadores infectados, da frequência dos envios e do período de locação.
Outras ofertas curiosas são máquinas para clonagem de cartões (US$ 200 a US$ 1 mil dólares) e caixas eletrônicos falsos (a partir de US$ 3,5 mil, dependendo do modelo).
Evolução
De acordo com a PandaLabs, o mercado negro do cibercrime era tradicionalmente centrado na distribuição de dados bancários e de números de cartões de crédito roubados. Eduardo D'Antona, diretor corporativo e de TI da Panda Security Brasil, afirma que, há mais de dez anos, já havia sido identificado aluguel de botnets, e que esse comércio sempre esteve locado no submundo da internet.
''O que vem evoluindo é a maneira com que o hacker faz dinheiro. Antes, eles desenvolviam suas ferramentas e iam roubar. Hoje, mudou do varejo para o atacado. Eles não só usam ferramentas para roubar como também começam a revender isso'', ele comenta. Além disso, é a primeira vez que se cataloga uma grande variedade de ofertas destinadas ao cibercrime.
Com isso, a tendência é que os ataques de cibercriminosos se intensifiquem cada vez mais. ''Cerca de 90% dos ataques de massa possuem algum tipo de comércio.''
Clientes vulneráveis
Para ele, mesmo que a ameaça seja maior para os usuários, os internautas que se sujeitam a negociar com esses cibercriminosos também estão vulneráveis, uma vez que o primeiro alvo do criminoso virtual são seus próprios clientes. Ricardo Bachert, diretor de consumo da Panda, acrescenta que os consumidores do mercado negro são mais passíveis de serem encontrados que os próprios profissionais, que contam com mais recursos para se manterem anônimos.


