O medo de ser a exceção da regra
Há quem declare sua paixão pelos games e saia em sua defesa. Há até quem ache que eles são uma espécie de Viagra eletrônico. Mas nem todo mundo encara o passatempo com a mesma naturalidade. Muita gente que já passou dos 30, e nem por isso deixou de curtir um game, prefere não falar sobre o assunto. Vários se recusaram, terminantemente, a nos dar declarações sobre o seu hobby cibernético. Achamos estranho, e fomos tentar descobrir qual seria o problema.
Para a psicóloga Elizabeth Adler, isso pode ser apenas discrição, um tipo de comportamento que, nesses tempos de exibição compulsiva, pode mesmo causar estranheza. Mas para o psicólogo Arnaldo Risman, professor da Universidade Aberta da Terceira Idade, essas pessoas podem estar com medo de se expor. A sociedade estipula papéis e comportamentos para cada faixa etária, explica. Talvez eles achem que, por estarem desfrutando de algo que esta mesma sociedade normatizou como sendo voltado para adolescentes, estão transgredindo as regras.
Um outro problema diz respeito ao prazer. Risman afirma que há pouco espaço para esta sensação e que, para um adulto, nem sempre é fácil se relacionar com algo que nunca esteve no seu script. É como se se divertir não ficasse bem depois de uma certa idade. Se esse for mesmo o caso, temos uma boa sugestão: na próxima dor de dentes, marque uma consulta com o doutor Placidino. (Agência OGlobo)





